Cacciola é indiciado por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 03 (AE) - O ex-dono do Banco Marka Salvatore Alberto Cacciola foi indiciado hoje pela Polícia Federal, por gestão fraudulenta e co-autoria no desvio de dinheiro público, no inquérito que apura o socorro dado pelo Banco Central (BC) aos bancos Marka e Fonte Cindam. A ex-diretora jurídica do banco Cínthia Costa e Souza também foi indiciada por co-autoria em peculato, e o economista Luiz Bragança, por tráfico de influência, no mesmo inquérito.
Com as medidas tomadas hoje pelo delegado Luiz Pontel, terminaram os indiciamentos dos envolvidos na operação de venda de dólares do BC ao Marka e Fonte Cindam para cobrir prejuízos dos dois bancos com a mudança da política cambial. A previsão agora é de que, no máximo em um mês, o inquérito seja enviado ao Ministério Público Federal (MPF), que vai decidir se pede à Justiça Federal abertura de processo contra os indiciados.
Antes de indiciar Cacciola, Pontel perguntou ao ex-banqueiro o motivo de suas viagens à Europa e ao Uruguai no ano passado. A PF também investiga a remessa de dinheiro que Cacciola fez para os Estados Unidos, para cobrir perdas na Bolsa de Chicago. O advogado do ex-dono do Marka explicou que a primeira viagem foi feita a passeio, e a segunda, a negócios.
Cacciola não falou com os jornalistas, mas distribuiu comunicado reafirmando ser inocente, porque a venda dos dólares, no dia 14 de janeiro de 1999, foi realizada de acordo com as regras da política de câmbio em vigor. No documento, o ex-banqueiro também afirma que, ao invés dar prejuízo ao BC, ele é quem teve prejuízo de R$ 100 milhões, com a perda de seu banco.
Fragoso contou que o delegado não explicou por que Cacciola foi indiciado por gestão fraudulenta, crime que é punido com prisão de três a 12 anos. "Espero que no fim do inquérito eu consiga entender o motivo, e o Ministério Público não siga esta acusação", afirmou, na saída da Superintendência da PF no Rio. A PF explicou que o inquérito corre sob sigilo de Justiça.
Indiciado de manhã, Bragança também negou-se a prestar depoimento, da mesma forma que fez ontem (02) o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes, acusado de peculato no inquérito. Se for condenado, o economista pode cumprir de dois a cinco anos de prisão. A PF esclareceu hoje que ele não é sócio da consultoria Macrométrica. A empresa é apenas de seu irmão, Sérgio Bragança, em sociedade com Lopes.
O economista foi implicado no caso porque viajou com Cacciola para Brasília (DF), quando o ex-banqueiro foi pedir ajuda para cobrir os prejuízos do Marka. Além das três pessoas de hoje e de Lopes, foram indiciados, nos dois últimos dias, o economista Rubem Novaes, também por tráfico de influência, e o ex-presidente do Banco Central Luiz Antônio Gonçalves, por co-autoria em peculato e gestão temerária - crime punido com dois a oito anos de prisão.


