Cacciola é condenado a quatro anos e seis meses de prisão
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio de Janeiro, 29 (AE) - O ex-dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, foi condenado hoje a quatro anos e seis meses de prisão, em regime semi-aberto, e multa de R$ 2 milhões, pelo juiz da 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Abel Fernandes Gomes.
Suspeito de ter se beneficiado de ajuda irregular do Banco Central (BC) ao seu banco, Cacciola foi condenado em um processo instaurado em 1996.
Neste processo, ele é acusado de desviar dinheiro do Banco Marka para seus próprios parentes, crime previsto no artigo 17 da lei 7.492, que trata dos crimes contra o sistema financeiro. Na mesma sentença, o juiz absolveu outros diretores e sócios do Marka que tiveram participação na liberação dos empréstimos que foram feitos na operação - José George Teixeira Bezerra, Francisco de Assis Moura de Melo e Roberto Orgler.
De acordo com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), o Marka liberou empréstimos para o publicitário João Simões Affonso, amigo de Cacciola, no valor Cr$ 16 milhões, valor que corresponderia a US$ 30 mil ou US$ 40 mil, segundo o próprio publicitário afirmou ao testemunhar na ação.
Desta quantia, os parentes de Cacciola receberam Cr$ 10 milhões, segundo a denúncia feita pelo procurador Marcelo Freire
responsável pelo pedido de condenação do ex-banqueiro. A operação também foi motivo de processo administrativo no Banco Central (BC), no qual Cacciola foi absolvido em segunda instância.
Na sentença, o juiz da 5ª Vara Federal lembra que Cacciola é "um homem de negocios, formado em economia e atuante no mercado ha mais de trinta anos" - e por isso mesmo, não poderia receber penas mais brandas permitidas no Código Penal.
O advogado de Cacciola, José Carlos Fragoso, avisou que vai recorrer da decisão, que considerou ter sido tomada em informações que estão "fora do processo" - as suspeitas de favorecimento do seu cliente pelo BC, durante a crise da desvalorização do real.
Segundo Fragoso, o publicitário amigo de Cacciola apenas entrou no limite de crédito de seu cheque especial, e usou os recursos desta mesma conta para pagar uma dívida de Cacciola. De acordo com o advogado, a dívida correspondia a cerca de R$ 30 mil. Para o advogado, o próprio montante é uma prova de que o ex-dono do Marka não havia dado nenhum golpe. "Um banqueiro como ele não precisa disso".
Ele lembrou que, com a absolvição no processo adminstrtivo do BC, que havia feito a denúncia ao Ministério Público, não haveria nem mais motivo para o processo. Affonso, afirmou o advogado, é uma pessoa de posses que também não precisaria participar de um golpe. "Ele não é um ze mané qualquer, um laranja", criticou.


