Cacciola diz que preferia ter sido liquidado extrajudicialmente
Brasília, 13 (AE) - O dono do banco Marka, Salvatore Cacciola, disse que se a crise fosse hoje preferia que o banco tivesse sido liquidado pelo Banco Central, mesmo que causasse prejuízo a seus clientes. "Se eu soubesse que ia ser massacrado como homem, pai de família, marido, empresário eu preferia mil vezes ter sido liquidado extrajudicialmente", afirmou. Cacciola disse que preferia perder "a casa e a lancha" que, segundo ele
são bens materiais que podem ser recuperados. "Eu recomeçaria minha vida do zero, sem problema nenhum".
O ex-banqueiro ressaltou ainda que nos 32 anos que atuou no mercado financeiro, nunca teve problemas com o Banco Central e que nesse período não teve nenhum processo administrativo o que, segundo Cacciola, é um fato raro. Para ele, não há crime no fato de o Banco Central ter comprado dólar do Marka a uma taxa de R$ 1,275 . "O que tem de errado nisso?" questionou. Cacciola disse que foi um preço justo. "Era eu ir prá casa e não ter mais banco".
Erro - Para Cacciola, "ou o Banco Central errou ao não liquidar as posições do fundos dos banco Marka ou errou ao liquidar as posições dos fundos ligados ao FonteCindam". Se o BC liquidasse as posições dos fundos do Marka a R$ 1,32, como o fez com o FonteCindam, o fundo derivativo plus perderia 30% do seu patrimônio e o fundo derivativo perderia 15%, mas os demais fundos não teriam perda nenhuma, disse o banqueiro.
Cacciola disse que o banco Marka estaria liquidado a R$ 1,32, mas afirmou ter pedido desesperadamente que o BC zerasse as posições dos fundos. Ele explicou que a transferência da casa que possui em Angra dos Reis para sua ex-esposa foi para liquidar a pensão que seria paga pelos próximos 15 anos, já que ele não teria recursos financeiros para fazer esses pagamentos.
Argumentou que a operação foi feita em momento que não havia nenhuma restrição ao seu patrimônio. Disse também que o Marka não quebrou após a operação com o BC e nem vai quebrar. E que seus bens só estão indisponíveis por decisão da CPI.





