Cacciola diz que não conhecia Lopes antes de câmbio mudar
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Por Nelson Breve e José Ramos 
Brasília, 13 - O dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola
disse há pouco, ao responder perguntas do relator da CPI dos Bancos, João Alberto Souza (PMDB-MA), que, antes da mudança no regime cambial, não conhecia o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. Cacciola afirmou também não conhecer os ex-diretores do BC, Demosthenes Madureira de Pinho Neto (assuntos Internacionais) e Cláudio Mauch (Fiscalização); o consultor da diretoria do BC, Alexandre Pundek; a ex-chefe do Departamento de Operação das Reservas Internacionais Maria do Socorro Carvalho; a chefe do Departamento de Fiscalização, Tereza Cristina Grossi; o sócio da empresa de consultoria Macrométrica Sérgio Bragança, além de outras duas pessoas mencionadas pelo relator, Denício Barbosa e Márcio Augusto Leite.
Cacciola afirmou conhecer todos os diretores da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o ex-presidente do FonteCindam, Luiz Antonio Gonçalves, e os economistas Rubem Novaes e Luiz Augusto Bragança. Disse, porém, que essas pessoas "não prezavam de sua intimidade". Cacciola explicou que conheceu Rubem Novaes na década de 60, quando ambos frequentaram o mesmo curso pré-vestibular, e que Novaes lhe apresentou Luiz Bragança no final de 97.
Dólares - Cacciola informou que o banco começou a vender dólares no dia 23 de dezembro do ano passado. Segundo ele, do dia 1º a 23 de dezembro, o banco "não tinha um dólar vendido". Ele negou informação publicada em nota do jornalista Ricardo Boechat, no jornal O Globo, segundo a qual teria teria recebido informações privilegiadas sobre o acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional. Cacciola chegou até mesmo a ler, na íntegra, a nota de Boechat, que afirma que "os termos do acordo do Brasil com o FMI foram antecipados a Salvatore Cacciola. Esse foi o sinal para que ele enfiasse o pé na jaca, apostando pesado...". A nota diz, ainda, que o informante do Banco Central "foi interpelado por Cacciola quando a canoa virou e que houve gritos na reunião...". Apesar de afirmar que tem respeito pela competência de Boechat, Cacciola disse que a nota "é uma grande mentira".
Quebra - Salvatore Cacciola disse que descobriu que a instituição estava quebrada às 8h45 da manhã do dia 13 de janeiro, quando leu no Sisbacen um comunicado informando o fim da mini banda e a indicação de que o dólar flutuaria entre R$ 1 20 e R$ 1,34. "Era uma situação sem volta. Eu sabia", afirmou.
Ele disse que sua preocupação foi com os 1.300 clientes que tinham R$ 350 milhões nos fundos do banco. Cacciola disse que por volta das 9 horas se reuniu com representantes do Marka-Nikko e que decidiram abrir as cotas a R$ 1,34. Segundo Cacciola, essa era uma previsão conservadora pois se a cotação do dólar chegasse a esse teto, o Banco Central venderia a moeda e as cotações cairiam. Ele disse que quem pediu resgate do fundo nos dias 12 e 15 de janeiro resgatou com essa cotação de R$ 1 34. mas quem pediu o resgate no dia 14 não pode fazê-lo, porque o dólar flutuou no dia seguinte.


