Brasília, 13 (AE) - O controlador do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, afirmou há pouco à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado que o documento encontrado pelos procuradores da República entre os objetos dele, com um contrato de cessão de direitos e outro de distrato com o advogado Roberto Cruz Moisés, se refere ao pagamento do defensor. Ele disse que Moisés é advogado pessoal dele há muitos anos e, como não tinha recursos para pagar o trabalho nesta fase, cedeu a ele os eventuais direitos de uma ação judicial. Mas, em seguida, segundo Cacciola, o próprio Moisés avaliou que o ele iria precisar de bons advogados na área criminal, e não na cível, da qual é especialista. Em função disso, houve o distrato, segundo o banqueiro. A explicação foi dada ao senador Roberto Requião (PMDB-PR) que, no início da exposição, concordou com Cacciola na avaliação de que havia uma manifestação de histeria contra o banqueiro. Requião disse que a manifestação mais clara foi a do presidente Fernando Henrique Cardoso, "que pretendia o ver preso". Cacciola afirmou que não é amigo do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes e que nunca teve contato com ele. "Eu lhe garanto, é a verdade", declarou, em resposta a Requião, que questionava a forma como Cacciola se dirigiu a Chico Lopes no bilhete que lhe enviou pedindo a interferência do BC a favor do Marka. No bilhete, Cacciola trata o ex-presidente do BC de "Francisco". Requião disse considerar que esse tratamento pelo primeiro nome é usado entre amigos e lhe perguntou como seria o tratamento que ele daria a Chico Lopes se os dois fossem íntimos. Resposta de Cacciola: "Chico". O senador quis então saber de Cacciola o que quis dizer, no bilhete, no trecho no qual pediu uma interferência "muito maior" de Chico Lopes. O banqueiro respondeu que o bilhete fora escrito num "momento de pressão e tensão violenta" e que o escrevera à mão e o enviara sem fazer revisão do texto. Disse que essa interferência "muito maior" significa uma "interferência grande", como, por exemplo, de alguém hierarquicamente superior ao então diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch. Cacciola afirmou que o bilhete pode ser "lido de dez formas e interpretado de n formas" e que não poderia entrar numa "discussão subjetiva" sobre o bilhete.

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