Rio, 19 (AE) - O ex-banqueiro Salvattore Cacciola admitiu ter escrito à mão um bilhete para o ex-presidente do BC Francisco Lopes, encontrado no apartamento deste durante a execução de mandado judicial de busca e apreensão determinado pela Justiça. Mas negou ter recebido qualquer tipo de informação de Sérgio Bragança, ex-sócio de Lopes na empresa de consultoria Macrométrica, e de seu irmão Luiz Augusto, acusados de terem vendido informações privilegiados obtidas em conversas com o ex-presidente do BC.
"Conheço o Luiz Augusto do mercado, mas ele não me passou nenhuma informação", declarou Cacciola. Ele disse que usou a expressão "esquecer de tudo", no bilhete que enviou a Lopes, referindo-se à sua própria vida e a tudo o que perdeu com a desvalorização do real. Cacciola não quis fazer mais comentários sobre o bilhete, acrescentando que somente dará entrevistas após o seu depoimento à CPI dos Bancos.
Salvatore Cacciola esteve reunido hoje com seu advogado, José Carlos Fragoso, acertando os detalhes dos depoimentos que fará amanhã (20), no Banco Central. No final da tarde, Cacciola foi para a sede da nova empresa de seu grupo, a Marka Empreendimentos e Participações, na Barra da Tijuca, zona oeste. A empresa foi aberta um dia depois que o Banco Marka desocupar completamente as salas em que funcionava no centro do Rio.
De acordo com informações de funcionários do prédio, no centro, a desocupação ocorreu no fim de semana e não foi deixado sequer o endereço para contato. O advogado José Carlos Fragoso afirmou que seu cliente prestará todos os esclarecimentos possíveis nos depoimentos que dará esta semana. "Não há nenhuma prova contra ele."

mockup