Rio, 17 (AE) - O dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, chegou hoje no Rio, depois de nove dias na Itália, dizendo que vai processar os autores da denúncia de que ele teria subornado um alto funcionário do Banco Central para obter informações privilegiadas. Também ameaçou recorrer à Justiça contra a Polícia Federal e o próprio Ministério Público pela busca feita em sua casa, na última quinta-feira. "Foi uma total arbitrariedade", disse o banqueiro, que fez ironia com relação à descoberta, pela polícia, de uma escopeta calibre 12 na mala de seu carro. "Não acharam cocaína, não?"
Irritado, mas esforçando-se para demonstrar tranquilidade, Cacciola foi o último passageiro a desembarcar do vôo procedente de Milão. Foi recebido no aeroporto por seu advogado, José Carlos Fragoso, e deu uma rápida entrevista no trajeto do portão de desembarque ao elevador.
Disse que prestará depoimento na segunda-feira, na superintendência da Polícia Federal, no Rio, e foi direto para seu apartamento, num condomínio de luxo na Barra, demonstrando não temer uma possível prisão. "Se ela (Polícia Federal) me der um motivo (para a prisão preventiva), tudo bem, estou aqui à disposição deles", comentou. "Mas quero saber por que vão me prender." O banqueiro prosseguiu, alegando que não haveria sustentação legal para um pedido de prisão preventiva contra ele. "O que eu fiz?", indagou. "Qual o motivo?". "Estou dizendo que não tive e não tenho informação nenhuma (das operações de câmbio do Banco Central), não estou dizendo isso aqui?".
O banqueiro voltou a insistir na legalidade da operação de remessa de US$ 17 milhões para o exterior, feita por ele, por meio do Marka Bank, instituição que controla, no paraíso fiscal das Bahamas, no dia em que o Marka quebrou. "O operação foi totalmente legal, sem problema nenhum, e não tinha nada a ver com o banco Marka aqui no Rio", disse. Ele não explicou, porém, a utilização dos dólares liberados pelo Banco Central para o Marka ao câmbio de R$ 1,27 para zerar seu fundo de investimentos
aberto no Banco Stock-Máxima, que resultou na remessa para o exterior.
"Isso aí, os documentos todos estão lá no banco, à disposição do Banco Central ou de qualquer lugar que tenha a ver", disse. "E pronto, acabou." Cacciola negou qualquer tipo de relação com os diretores do Banco Central até mesmo na resposta à pergunta sobre a operação de busca e apreensão em sua casa e na do ex-presidente do BC, Francisco Lopes. "A do ex-presidente, é problema dele", desconversou. "Agora, na minha (casa) eu acho um absurdo, uma total arbitrariedade, que meus advogados vão analisar." Quanto à matéria da revista "Veja", que divulgou, no domingo passado, a acusação de que o banco teria se beneficiado de informações privilegiadas, ele foi taxativo: "Sem a menor sombra de dúvida, a "Veja" terá de se explicar por estas declarações", afirmou. "O problema é que a imprensa é superprotegida, então vamos ver como é que vai se fazer alguma coisa." O banqueiro disse que passará o fim de semana no Rio, em sua casa.
"Saí do Brasil legalmente, estou voltando no dia que marquei e acabou, qual o problema?", disse, impaciente. "Estou à disposição do presidente da República, da CPI, da Polícia Federal, do Ministério Público, de quem quiser." Sobre o encontro da arma em seu carro, fez comentários irônicos, que sugerem uma "montagem". "Tenho a maior curiosidade de saber quem colocou aquela escopeta lá", disse. "Eu estava fora do Brasil, não tenho a menor noção de que arma é essa." E prosseguiu: " Não encontraram cocaína, não?". "Pergunta se encontraram cocaína, talvez tenham encontrado também."

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