Cacauais clonados podem recuperar lavoura na Bahia
Salvador, 26 (ae) - Os primeiros resultados de seis anos de pesquisas para desenvolver plantas resistentes à praga "vassoura-de-bruxa" estão deixando técnicos agrícolas e produtores de cacau do sul da Bahia eufóricos. Os novos pés de cacau, melhorados geneticamente pelos técnicos da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), além de tolerantes às pragas, apresentam o dobro da produtividade dos antigos.
A boa notícia representa o inÍcio da recuperação da lavoura cacaueira baiana arrasada nos últimos dez anos pela "vassoura-de-bruxa", que provocou um prejuízo estimado de US$ 1,2 bilhão e 250 mil desempregados na região. Na pauta das exportações, o cacau chegou a render anualmente US$ 1 bilhão para a Bahia.
Após o aparecimento da praga, a produção foi caindo, desabando as vendas. Em 97 ocorreu o pior desempenho dos últimos anos, com vendas externas da ordem de US$ 122 milhões. A "vassoura-de-bruxa" infectou 84,7% dos 640 mil hectares de área plantada na Bahia.
A região mais avançada do Estado no Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira é o agrosistema de Camacã, que abrange seis municípios, onde estão plantados 2,4 mil hectares de cacau clonado, a partir de material genético selecionado. Um grupo de 360 produtores participa desse projeto piloto de produção do novo cacau. O gerente regional da Ceplac de Camacã, Ednaldo Ribeiro, explica como os antigos pés de cacau são recuperados. "Nós enxertamos os clones das mudas selecionadas na planta infectada pela praga e num prazo de 18 meses, surge a nova planta já em condições de produzir os frutos".
Esses frutos são maiores e contém mais amêndoas de cacau que os antigos. A diferença é gritante: para se produzir uma arroba de cacau são necessários entre 400 a 450 frutos dos antigos pés. Com as novas plantas, 280 frutos são suficientes.
Santana explicou que não se pode avaliar ainda qual vai ser a safra desses primeiros cacaueiros clonados. É que o ciclo de produção do pé de cacau só atinge a sua plenitude em cinco anos, tempo em que se espera alcançar uma uma produtividade de 100 a 140 arrobas por hectare, o dobro da média das plantas antigas. "O que temos agora é uma mostra do material produzido", disse, informando que os produtores da região vão comemorar a "quebra do cacau", etapa em que o fruto é partido para a retirada da polpa e das amêndoas. "Recebi nos últimos dias mais de quatro mil frutos de produtores que fizeram questão de me mostrar o resultado de todo esse trabalho de recuperação"
disse Santana.
O programa de recuperação de cacau prevê investimentos de R$ 367 milhões até o ano 2001, recursos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e BNDES. Desse total, R$ 125 milhões foram disponibilizados para os produtores. Santana informou que o programa é baseado em três pontos: nos produtores, que estão convencidos a renovar seus cacauais; na Ceplac, que dispõe da tecnologia; e no crédito agrícola. "O terceiro item é dos mais importantes pois os produtores da região estão completamente descapitalizados por causa da crise do cacau e precisam de financiamento para implantar os clones", sustenta Santana.





