Caças indianos voltam a atacar na Caxemira
Nova Délhi, 27 (AE-AP) - Apesar da intensificação dos esforços diplomáticos para pôr fim ao mais violento conflito entre Índia e Paquistão nos últimos 30 anos, tropas de artilharia dos dois países travaram um pesado combate na disputada região da Caxemira.
Durante a noite, aviões indianos voltaram a atacar bases de guerrilheiros muçulmanos escondidas nas montanhas do Himalaia, segundo informaram fontes da Índia.
Nova Délhi acusa o governo paquistanês de fornecer armas e dar apoio logístico aos guerrilheiros separatistas da Caxemira, que atacam em território indiano. O Paquistão, por seu lado, rechaça a acusação e sustenta não ter nenhum controle sobre os rebeldes.
A esperança de que uma saída diplomática acabe com um conflito de consequências imprevisíveis - tanto Índia quanto Paquistão sustentam arsenais nucleares - ampliaram-se hoje com a chegada a Nova Délhi do subsecretário de Estado norte-americano Gibson Lanpher.
Antes, o diplomata dos Estados Unidos mantivera reuniões com autoridades paquistanesas em Islamabad. Por isso, jornais indianos informaram que ele era portador de uma fórmula de paz proposta pelo Paquistão.
Lanpher desmentiu que estivesse levando uma proposta paquistanesa. "Minha única missão é a de informar o governo indiano sobre as conversações que o general Anthony Zinni (o especialista militar do comando central das Nações Unidas) manteve no Paquistão", disse o representante dos EUA a repórteres.
Lanpher acompanhou Zinni a Islamabad, na semana passada, numa missão destinada a persuadir o Paquistão a retirar os rebeldes apoiados por Islamabad da parte indiana da Cachemira. O pedido da missão, em nome da ONU, foi feito tanto ao primeiro-ministro paquistanês, Nawar Sharif, quanto ao comandante do Exército de Islamabad, general Pervez Musharaf. O subsecretário não respondeu às indagações sobre como o governo paquistanês reagiu ao pedido.
Na Índia, Lanpher reuniu-se com o ministro do Exterior, Jaswant Singh, e com o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee. Mas as declarações de Vajpayee antes do encontro deixavam claras as possibilidades da missão do diplomata: "Essa é uma questão bilateral e deve ser resolvida por Índia e Paquistão, sem a intromissão de nenhuma terceira parte."
Ainda hoje, Sharif viajou para a China, onde realiza uma visita de cinco dias. Ele deve pedir a Pequim, que até agora se tem mantido neutra, apoio na disputa com a Índia. A China pode tornar-se parte importante no conflito: em 1962 foi à guerra com a Índia por questões fronteiriças até hoje pendentes.





