Caçamba na rua, sinal de alerta para motoristas
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - Quem já teve o dissabor de se acidentar com uma caçamba de obras estacionada em via pública sente na pele as consequências do impacto. Em alguns casos, o recipiente para recolhimento de entulhos está parado regularmente e com os dispositivos de segurança devidamente instalados, como faixas refletivas e triângulos pintados no tamanho previsto em lei. Em outros, a irregularidade somada à falta de uma fiscalização mais rigorosa por parte da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) contribuem para os incidentes.
Em julho de 2010, o motociclista L.H., de 32 anos, bateu sua moto em uma caçamba localizada na esquina da Avenida São Paulo com a Rua Piauí, em frente ao Bosque, no centro de Londrina. Ele não chegou a sofrer fraturas, mas a cicatriz gerada pelo rasgo de cerca de 15 centímetros em sua canela direita é a marca registrada do susto que sofreu. L.H. ainda agradece por ter batido a uma velocidade baixa naquela madrugada em que não avistou o grande objeto estacionado num lugar impróprio e com sinalização inadequada, segundo ele.
"Estava escuro e a caçamba estava estacionada muito perto da esquina. Bati com a perna direita, só não foi pior porque eu estava devagar e com capacete. Acredito que se ali estivesse estacionado um carro, ele seria multado", conta o motociclista, que além de mais de 20 pontos na perna sofreu outros seis na cabeça.
No último domingo à noite, um casal também em uma motocicleta passou pelo mesmo sufoco, na Rua Elízio Turino, no Jardim Marabá (zona oeste). O condutor da moto colidiu com uma caçamba estacionada num dos lados da pista, em frente a uma obra. Encaminhado para a Santa Casa, Maicon André Martins, de 27 anos, sofreu fraturas na perna e no braço. A passageira Hellen Carolina Mendes, de 19, teve sérias lesões, e foi levada para o Hospital Universitário, onde passou por uma cirurgia que evitou a amputação de uma das pernas. Seu quadro era estável.
A assessoria de imprensa da CMTU informou que ontem pela manhã enviou uma equipe do setor de espaço público até o local do acidente e constatou que a caçamba estava estacionada de forma regular, próxima ao meio-fio, e com sinalização adequada. A FOLHA também esteve lá, no período da tarde. A caçamba já havia sido retirada, mas o que chamou a atenção foi a falta de sinalização horizontal na rua. Não há faixas de estacionamento ao longo de toda a via e nenhum poste de iluminação no trecho da calçada onde o objeto estava parado.
Morador naquela rua, o empresário Renan Bargoena, de 27 anos, disse que um primo já colidiu o carro em uma caçamba próximo a sua casa em plena luz do dia. Segundo ele, falta sinalização na via e em muitas caçambas.
CONSERVAÇÃO
A FOLHA percorreu algumas ruas da Gleba Palhano (zona sul), bairro onde os prédios não param de nascer, e flagrou algumas caçambas bem sinalizadas e outras em péssimo estado de conservação, com cimento escorrido escondendo as faixas refletivas. Segundo uma empresa que loca os equipamentos, cabe às construtoras locatárias zelar pelo bom estado dos recipientes. O novo Código de Posturas do Município, em vigor desde dezembro de 2011, reserva um capítulo exclusivo acerca do uso, transporte e recepção das caçambas. Um dos artigos diz que elas deverão ser amarelas nas quatro faces laterais e conter, em todas as faces, um triângulo sinalizador refletivo com dimensões, de pelo menos um metro e meio quadrado. Os recipientes também devem estar a uma distância média de 15 a 30 centímetros do meio-fio. Os objetos em situação irregular ainda devem ser retirados do local após autuação à empresa responsável. A reportagem não conseguiu falar com o coordenador de Espaço Público da CMTU, Wilson Galvão, para falar sobre a fiscalização das caçambas na cidade.


