Maringá - As mudanças climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño deixaram os paranaenses temerosos em 2015 com o registro de tempestades e ventanias, além do alto volume de chuva acumulada acima da média histórica em todas as regiões do Estado. No ano passado, a Defesa Civil ainda socorreu desabrigados em quatro municípios atingidos por tornados que tiveram as casas danificadas ou destruídas pela força imprevisível da natureza. Enquanto a maioria das pessoas procura um abrigo seguro, um grupo de jovens da cidade de Maringá, no Noroeste, corre atrás das tempestades para registrar as intempéries climáticas em fotos e vídeos.
Integrante do Stormaringá desde a formação da equipe em 2011, o técnico em meteorologia Acácio Pereira afirma que o principal objetivo do grupo é divulgar a formação das tempestades e orientar a população, por meio das redes sociais. "Os avisos preventivos são importantes para evitar acidentes envolvendo quedas de árvores ou raios. A maioria dos registros é realizado ainda na zona rural antes da chegada das tempestades na cidade", explica. Atualmente, o grupo tem mais de 3.440 seguidores no Facebook, sendo que grande parte dos internautas passou a acompanhar o Stormaringá após o último dia 13 de dezembro, quando a equipe registrou um tornado entre os municípios de Maringá e Marialva. "Acompanhamos a formação da nuvem funil que tocou o chão e se transformou em um tornado em uma área rural sem residências. Nenhum dano grave ocorreu como em outros tornados no Paraná", conta.
Pereira lembra que já se interessava por tempestades desde a infância, mas entrava em pânico durante as ventanias e tempestades, o que foi vencido após terapia que recomendava a exposição ao medo para superação do trauma. Assim, ele começou a fotografar a formação das chuvas e raios, com o apoio do amigo de infância Igor Sanches, e as imagens chamaram a atenção da técnica em meteorologia Thays Camassola. Nascia assim a equipe Stormaringá, que ainda conta com o fotógrafo Marcelo Riva.
Pereira foi para Florianópolis (SC) no início de 2014, onde se formou em técnico em meteorologia, e retornou para Maringá no último mês de junho para registrar as tempestades provocadas pelo fenômeno El Niño. "O Noroeste do Estado tem essa característica por causa do choque entre o ar quente e frio. Com a previsão do El Niño, nos preparamos para registrar as mudanças climáticas na região. O fenômeno deve influenciar o clima até a estação do outono", comenta. De acordo com ele, o Paraná faz parte do segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas do Centro Sul dos Estados Unidos com tornados em Estados como Kansas, Oklahoma, Missouri e Arkansas, Mississipi e Texas. A principal dificuldade enfrentada por meteorologistas é a previsão de tornados com antecedência.
Hoje, o técnico em meteorologia trabalha no monitoramento de radares disponíveis na internet na tentativa de prever a formação das tempestades, que podem ganhar mais intensidade. "Em seguida, vamos para o campo com o carro da equipe para fotografar e filmar as nuvens e as mudanças no clima. Às vezes, a chuva ganha muita intensidade, mas existe o risco de errar e perder a viagem", acrescenta.
No entanto, nem sempre foi assim. No início, o integrante Igor Sanches lembra que o grupo não contava com o apoio da tecnologia e nem tinha um veículo para o trabalho. "A gente ia para a zona rural de bicicleta e se arriscava em tempestade de granizo. Uma vez, o fotógrafo percebeu que o meu cabelo estava muito arrepiado, o que é uma característica que indica a possibilidade de raio no local. Saímos todos correndo a procura de um abrigo. Em seguida, houve uma descarga elétrica na plantação de soja", recorda.
Atualmente, Sanches realiza o curso de aviação e já possui autorização para voo em monomotores. "Aprendi a respeitar a tempestade e sei que uma chuva pode ganhar muito intensidade. Essa experiência é muito importante durante os voos", ressalta. Ele ainda trabalha com a equipe e cobra mais apoio para concretização de projetos para prevenção e orientação da população. "Eu já vi um passageiro de uma motocicleta com uma vara de pescar durante uma forte chuva. Era um para-raios em movimento. Por isso, precisamos de patrocínios ou de parcerias com o poder público para desenvolver e ampliar o projeto com o objetivo de esclarecer os moradores sobre os riscos das tempestades."

Imagem ilustrativa da imagem Caçadores de tempestades
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