Cubatão, 02 (AE) - O guará-vermelho, ave que retornou aos mangues de Cubatão após a redução da poluição, está novamente com sua reprodução ameaçada. Desta vez, o que preocupa os ambientalistas são os caçadores, que matam apenas por prazer, já que os guarás não servem como alimento. "Nos dois últimos anos, constatamos esse crime ecológico na época da reprodução e estamos apreensivos de que isso possa se repetir", afirmou o biólogo Fábio Olmos, que estuda essas aves desde 1993.
Os mangues de Cubatão voltaram a receber o guará, escolhido como símbolo da recuperação ambiental local. De 87 aves que reencontraram condições de reprodução, a população chegou a 575, mas, nos dois últimos anos, caiu para 550.
"No momento, os guarás estão em fase de formação dos pares e selecionando o local do ninho", explicou Olmos. Ele teme a repetição do ocorrido em 1997, no início da fase de reprodução: um caçador matou uma ave com um tiro, fazendo com que o bando fugisse apavorado, deixando os ninhos para trás. Previa-se o nascimento de 250 guarás. Não nasceu nenhum.
Preocupada com a situação, a bióloga da prefeitura, Maria do Carmo Araújo, informou que foi solicitada em maio a autorização para a instalação de bóias e sinalização com placas nos rios das Onças e Morrão. "Nunca obtivemos resposta", reclamou.
Pescadores - Maria do Carmo quer também que a Polícia Florestal fiscalize a área, pois alguns pescadores usam rede de malha fina. "Ela mata filhotes de peixes e crustáceos e compromete também a sobrevivência dos filhotes de guará."

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