Da Redação
Os estabelecimentos comerciais que trabalham com máquinas caça-níqueis no Paraná poderão receber a visita de policiais civis e federais nos próximos dias, caso os equipamentos não sejam retirados dos locais de acesso ao público. Segundo o delegado-chefe da Corregedoria da Polícia Federal, Newton Rodrigues, deverão ser apreendidas por agentes federais as máquinas de fabricação estrangeiras e que não tenham toda a documentação de regularização. ‘‘Só nos interessam as máquinas que tenham sido originadas de contrabando. As demais são de atribuição da Polícia Civil’’, avisou ele. Até ontem, a Polícia Federal não havia feito nenhuma apreensão desse tipo de equipamento no Estado.
O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que aguarda um posicionamento oficial do governo federal sobre o decreto que proíbe esse tipo de jogo para que as máquinas comecem a ser apreendidas no Paraná. ‘‘Quem dá o alvará de funcionamento é a prefeitura de cada município. A partir do momento em que tivermos a informação oficial de que é proibido o funcionamento desses equipamentos, estaremos aptos para fazer a apreensão de todos eles’’, informou. As primeiras apreensões de caça-níqueis se deram em Campo Mourão, pela Polícia Civil. ‘‘A Justiça local determinou a proibição dos equipamentos e cumprimos a decisão’’, explicou o secretário.
Em Curitiba, os proprietários de estabelecimentos comerciais se anteciparam à edição da Medida Provisória do governo federal proibindo os equipamentos. Eles começaram a retirar as máquinas na segunda-feira. Para jogar, é necessária apenas uma moeda de R$ 0,25.
Esse tipo de máquina se espalhou por diversas cidades do Paraná e ganhou público cativo. Em Apucarana, estão em todos os setores da cidade, do centro aos bairros da periferia. Apesar da medida provisória do governo, determinando a proibição do equipamento, a polícia local não recebeu determinação para apreender as máquinas ou paralisar as apostas. A polícia está aguardando orientação para adotar as providências necessárias.
Em Cornélio Procópio, a Justiça já havia mandado recolher, em setembro, 10 máquinas que pertenciam à empresa J.M. Bueno e Simão Ltda e que estavam espalhadas por estabelecimentos do centro e periferia da cidade. A apreensão foi determinada pelo juiz Marcelo Ferreira e requerida pelo promotor João Eduardo da Fonseca. As máquinas foram encaminhadas ao Fórum. A Justiça suspeitava que elas eram ‘‘viciadas’’, ou seja, programadas para não premiar o jogador. Além disso, os estabelecimentos permitiam que crianças e adolescentes se utilizassem das máquinas para apostas, o que desrespeita o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Na época da apreensão, a advogada Dagmar Hannouche, contratada pela empresa J.M. Bueno e Simão Ltda, informou que as máquinas eram legalizadas e que foram submetidas a perícia do Instituto de Criminalística de Londrina. Ela disse ainda que as máquinas funcionam com alvarás da Secretaria de Segurança Pública e da Prefeitura de Cornélio Procópio.
Segundo o promotor, depois da apreensão das máquinas não houve novas denúncias de que algum estabelecimento de Cornélio Procópio esteja ainda se utilizando desse tipo de diversão eletrônica. Em Londrina também foram efetuadas apreensões de caça-níqueis há mais de três meses, mas os proprietários recorreram na Justiça e os equipamentos foram devolvidos, enquanto aguarda decisão judicial. (Luciana Pombo, Edna Mendes, Maurício Borges, Érika Pelegrino)

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