Cabo reage a assalto é atingido por cinco tiros e fica paraplégico
Rio, 09 (AE) - O cabo reformado da Polícia Militar Walter Calixto, de 36 anos, estava em um ônibus quando oito homens anunciaram um assalto. "Eu andava com um walkman embaixo da camisa para disfarçar o volume da arma", conta. "Eles pediram o aparelho e eu puxei o revólver". O cabo baleou um dos assaltantes. Outro disparou cinco tiros contra ele. Uma das duas balas que o atingiram entrou pela costela, perfurou o diafragma e atingiu a medula, deixando paralisadas suas pernas. "Consegui ficar de pé, mesmo sem sentir a perna", conta. "Os assaltantes fugiram, deixando o rapaz ferido; impulsionei meu corpo para trás e caí sentado, só então percebi que ele não estava respirando mais".
Calixto ficou paraplégico. "Saí no lucro", diz, quatro anos depois. Ele está entre os 52% dos policiais "vitimados" em folga, segundo a pesquisa das antropólogas Jacqueline Muniz e Barbara Musumeci Soares. Casado, pai de uma menina de 8 anos, Calixto hoje faz parte da equipe de tiro ao alvo que treina para representar o Brasil na Paraolimpíada de Sidney e preside a Associação de Reabilitação da Polícia Militar (ARPM), entidade civil que reúne PMs deficientes físicos. "Muitos colegas não têm discernimento para entender o que aconteceu, como eu tive", diz. "Depois que se passa por uma coisa dessas, você é capaz de aguentar qualquer coisa".
O terceiro-sargento reformado Sidney Rocha tinha 25 anos quando também reagiu a um assalto. Voltava para casa e viu a vizinha ser dominada. "Saquei a arma e o assaltante a usou como escudo", diz. "Fui ferido no peito e na espinha". Entre 1982 e 1983, ficou internado no Hospital Central da Polícia Militar. Pouco depois de se reabilitar, fundou a ARPM. A associação funciona no Centro de Fisioterapia e Reabilitação da Polícia Militar, um prédio anexo ao 16.º BPM, em Olaria. O batalhão é o que tem as maiores taxas de policiais feridos ou mortos em serviço: 4,73 de cada 100 PMs vitimados de 1994 a 1996.
O centro faz cerca de 4,2 mil atendimentos por mês. "Temos uma equipe multidisciplinar que faz desde fisioterapia a atendimento psicológico e terapia ocupacional", diz o diretor do centro, tenente-coronel médico Bayron Nobre Filho. Entre 1993 e 1996, 24% dos PMs feridos e mortos estavam envolvidos em acidentes, índice maior que o de assaltos (18%), ações armadas de suspeitos (11%) e confrontos armados (5%). (C.T.)





