DIADEMA - O cabo Ricardo Luís Buzeto - o último dos dez policiais-militares indiciados pela violência na Favela Naval a ser preso - interrogado ontem à tarde usou do direito de ficar calado. O cabo, que se entregou ontem à noite, disse ao delegado do 2º Distrito Policial de Diadema, Mitiake Yamamoto, e ao promotor Eduardo de Freitas que só falará em juízo. Ele recusou ainda a oferta de transferência para outro presídio.
Buzeto, que delatou as irregularidades cometidas pelos colegas num relatório, poderia ser levado para o Centro de Observação Criminológia (COC), uma prisão civil especial. Mas preferiu continuar no Presídio Militar Romão Gomes, no Barro Branco, zona norte da Capital, onde estão os outros nove policiais indiciados. Ele está separado dos demais.
A apresentação de Buzeto na noite de ontem foi cercada de muitas dúvidas. Seus advogados pretendiam que a prisão fosse revogada e o promotor José Carlos Guillem Blat não concordou. O Ministério Público e a entidade de Direitos Humanos Teotônio Vilela tinham prometido conseguir um lugar para dar segurança ao cabo que teme ser assassinado pelos companheiros de farda. A decisão em seguir para o 24º Batalhão foi do próprio Buzeto. ‘‘Se for para acontecer alguma coisa de ruim, que aconteça logo porque não aguento mais esta pressão’’, afirmou ele a seus advogados.
Buzeto escreveu uma carta ao presidente da República dizendo não ter condições de pagar ‘‘renomados’’ advogados e que não quer ser chamado de marginal, assassino ou delator. ‘‘Atidudes violentas não fazem parte do minha história de vida’’, escreveu.
O cabo é apontado pelo promotor Blat como um dos responsáveis pela violência que terminou com a morte de Mário José Josino no começo da madrugada de 7 de março. Segundo o promotor, ele assistiu a tudo sem tomar providências. Buzeto na carta afirma que não quer ser condenado antes de ser julgado. Quer ‘‘restaurar a sua imagem injustamente denegrida pelos jornais’’ e pediu o acompanhamento do presidente para que juízes e promotores ‘‘não sejam contagiados pela febre momentânea e possam apurar os fatos com serenidade’’.

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