Cabe ao médico decidir sobre riscos
O ginecologista e obstetra Alessandro Galletto foi responsável pelo primeiro - e talvez único - parto na água realizado em Londrina. Também já fez parto de cócoras e no chão, todos em ambiente hospitalar. ''Eu respeito a vontade da paciente'', diz ele, que sempre esclarece junto às futuras mães as vantagens e as desvantagens de cada tipo de parto. Quesito em que o parto normal leva grande vantagem: ''A cesárea eleva em até sete vezes o risco de morte materna, e só é indicada em 10% dos casos. O restante pode terminar, fisiologicamente falando, em parto normal'', informa o médico.
Mesmo assim, o obstetra revela que aproximadamente 90% das parturientes atendidas em seu consultório optam pela cesárea, embora admita que as mulheres estejam ''redescobrindo'' o parto normal e suas vantagens. Ele afirma também que tem aumentado entre as futuras mães o interesse em poder escolher partos alternativos. ''É a busca da mulher em ser respeitada no seu direito de escolha em um momento único para ela.''
O obstetra defende que a mulher tenha liberdade para tomar decisões em relação ao conforto e à evolução do trabalho de parto. ''É uma forma de favorecer a evolução natural do processo'', diz. Ele lembra, porém, que sempre caberá ao médico tomar decisões para diminuir ou anular os riscos, em caso de intercorrências. ''Com a presença ou não do médico, o bebê vai nascer. A diferença é que quando o profissional acompanha tudo de perto, pode avaliar se o trabalho de parto está acontecendo naturalmente e sem riscos. Se por ventura qualquer problema for detectado, o obstetra tem condições de interferir e salvar a vida de mãe e filho'', diz Galletto. (S. L.)





