C-Bond volta ao nível anterior à crise russa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Priscilla Murphy 
São Paulo, 13 (AE) - Os títulos de dívida externa mais negociados da América Latina, os brasileiros C-Bonds, voltaram hoje pela primeira vez ao nível em que estavam antes da crise russa, em agosto do ano passado, e fecharam a 73,875 centavos de dólar, em alta de 2,25%.
A tendência de alta dos títulos brasileiros, que vem se mostrando relativamente contínua desde a mínima do semestre, de 58,500 centavos de dólar, atingida em agosto, foi reforçada recentemente pelos resultados animadores do último encontro da Associação dos Investidores em Mercados Emergentes (EMT Association) e por boas notícias sobre as economias brasileira e argentina, além da divulgação, no fim da demana passada, de dados que demonstraram pouca pressão inflacionária nos Estados Unidos.
IPCA - Segundo operadores, os bradies (títulos da dívida externa renegociada) foram estimulados por uma onda de otimismo do mercado em geral em relação ao Brasil, que começou na semana passada com a queda contínua do dólar e a redução do IPCA para 0 95% em novembro, divulgada na sexta-feira. Outros dois índices de preços divulgados na semana passada - a primeira prévia de dezembro do IPC-Fipe (1,34%) e o IPCA de novembro (0,95%) - ficaram na "banda de baixo" das expectativas do mercado. As opiniões do mercado para o IPC-Fipe variavam entre 1,2% e 1,6% e para o IPCA, índice que baliza as metas de inflação do governo, as expectativas estavam entre 0,9% e 1,25%.
Operadores também destacaram a possibilidade de votação do pacote fiscal da Argentina ainda este mês. Hoje o encontro dos representantes do Bancos Centrais do G-10, que participaram da reunião mensal do Banco para Compensações Internacionais (BIS), também refletiu essa expectativa otimista. Entre as economias emergentes, há "sinais positivos" de crescimento para o próximo ano vindos do Brasil, Rússia, México Argentina e áfrica do Sul, avaliaram os representantes.
De acordo com o presidente do Banco Central da Grã-Bretanha, Eddie George, que também presidiu o encontro, os programa de reformas adotados pelos países emergentes são "encorajadores", especialmente na ásia. "A economia russa, em particular, está crescendo não apenas por causa da alta dos preços internacionais do petróleo, mas está realmente se expandindo de uma forma que as pessoas consideram surpreendente", disse.


