Bush vence fácil em Carolina do Sul, mas McCain diz que luta continua Da correspondente Mônica Yanakiew
Washington, 20 (AE) - A campanha para as eleicões presidenciais dos Estados Unidos deu uma nova virada.O governador do Texas, George W. Bush, cuja candidatura pelo Partido Republicano estava ameaçada, voltou hoje a ser o favorito: obteve 54% dos votos do conservador estado da Carolina do Sul, nas prévias de sábado, derrotando seu principal adversário, o senador John McCain, do Arizona.
Na terça-feira, Bush enfrentará McCain novamente. No mesmo dia os republicanos realizarão prévias no industrializado estado de Michigan (que representa melhor o eleitorado nacional) e no de Arizona (terra de McCain). O senador ainda lidera as pesquisas de opinião, mas está em desvantagem: não tem apoio da máquina partidária, tem menos recursos que Bush e pouco tempo para fazer campanha.
Além do mais, McCain perdeu por muito na Carolina do Sul, onde obteve apenas 43% dos votos. E suas duas bandeiras, de favorito dos veteranos de guerra e de ser um reformista, foram arrebatadas por Bush.
Filho e neto de almirantes e herói da Guerra do Vietnã, McCain contava com os votos dos ex-combatentes da Carolina do Sul, que representam um em cada dez eleitores. Descobriu que apenas 47% dos veteranos votaram nele. Outros 47% optaram por Bush.
Com suas promessas de investir mais em saúde e educação e reformar o Partido Republicano, McCain também esperava atrair jovens, independentes e democratas. Em alguns estados (entre eles Michigan) qualquer um pode votar nas prévias republicanas. E foram justamente os extra-partidários que garantiram sua surpreendente vitória em New Hampshire, no último dia 1º de fevereiro (onde derrotou Bush com uma diferença de 19 ponto percentuais) convertendo-se no mais novo fenômeno político dos EUA.
McCain tentou repetir a façanha na Carolina do Sul, percorrendo o estado de ponta a ponta, convocando eleitores indepedentes e democratas. Um número recorde de 600 mil pessoas compareceu às urnas (quase o triplo dos 273 mil que votaram nas prévias de 1996). Mas muitos eram cristãos conservadores, que lançaram sua própria ofensiva, porque temiam ver o candidato do próprio partido ser escolhido por pessoas de valores muito diferentes dos seus.
Para atrair o voto dos cristãos, Bush se viu obrigado a adotar uma posição mais à direita, que pode prejudicá-lo em estados mais progressistas, como a Califórnia. Mas, ao mesmo tempo, lançou um slogan reformista, parecido com o de McCain. Como governador do Texas, insistiu, reformou a educação e cortou impostos - algo que o senador não fez nos seus 17 anos no Congresso.
Acabou convencendo o eleitorado da Carolina do Sul. Perguntados se Bush era o homem da reforma, 58% dos entrevistados (numa pesquisas realizada depois da votação) disseram que sim e 33% responderam não.
Quando a mesma pergunta foi feita sobre McCain, 53% disseram sim e 39% responderam não.





