Bush tem cada vez menos fundos e cada vez mais problemas
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2000
Por Bruno Maloro 
Washington, 25 (AE-ANSA) - O governador do Texas, George W. Bush, que até alguns poucos meses era considerado favorito para tornar-se presidente dos Estados Unidos, não está agora seguro de que será eleito nem como candidato de seu Partido Republicano.
Seus cofres estão vazios, e os observadores mais influentes lhe dão as costas. Hoje, seu pai, o ex-presidente George Bush, que trabalhou a fundo na campanha eleitoral, cedeu ao cansaço e foi hospitalizado na Flórida com uma crise cardíaca.
"Não há nenhum motivo para alarme", assegurou Frank Boucek, cardiologista de Naples, Flórida, mas é óbvio que por algumas semanas o ex-presidente estará fora do jogo. Ele tem 75 anos, e já teve problemas cardíacos no passado.
Seu filho, entretanto, não interrompeu uma série de comícios na Virgínia. "Se fosse um verdadeiro problema, toda a família estaria reunida em torno do papai", comentou.
Seus problemas são de outra natureza. Nenhum candidato antes dele gastou tanto dinheiro em tão pouco tempo, e com resultados tão modestos.
Segundo cálculos do New York Times, nas primeiras etapas das primárias republicanas Bush gastou US$ 60 milhões, e ainda assim perdeu algumas das disputas.
Os fundos de campanha que em tese asseguravam uma formidável vantagem sobre seu adversário, John McCain, se derreteram como a neve de New Hampshire, o primeiro estado onde houve votação.
Ainda segundo o New York Times, sobraram para os dois candidatos mais ou menos os mesmos recursos: US$ 10 milhões para Bush; US$ 8 milhões ou US$ 9 milhões para McCain.
Bush conquistou até agora 57 dos 1.034 delegados necessários para ganhar a candidatura republicana. McCain tem 95.
A hora da verdade será na terça-feira 7 de março, quando serão realizadas primárias em 12 estados, entre eles Nova York e Califórnia.
Enquanto Bush bombardeia os eleitores com propaganda paga na televisão, McCain consegue grátis o apoio dos jornalistas, convencidos de que apontam para o cavalo vencedor. A edição americana de hoje da revista The Economist convida em editorial os republicanos a votarem nele.
Os próprios assessores de Bush o criticam privadamente. "Gastamos US$ 2 milhões para comprar espaço na televisão no Arizona, o estado de McCain, onde Bush não colocou o pé. Nosso adversário não gastou um centavo e nos venceu por 26 pontos percentuais. É um esbanjamento incômodo", disse ao New York Times um dos "dissidentes".
Antes do início das primárias, segundo a comissão federal de controle dos fundos de campanha dos candidatos, Bush havia amealhado US$ 70 milhões e gasto US$ 50 milhões. McCain havia dispendido US$ 342 mil dos US$ 21 milhões arrecadados.
Sob sua avalanche de fundos, Bush conseguiu sepultar candidatos como Elizabeth Dole e Dan Quayle, que se retiraram antes de a batalha começar. Mas em 1º de fevereiro, com a vitória de McCain em New Hampshire, tudo começou a mudar.
Os ativistas a serviço de Bush, que normalmente compartilham quartos de hotel e comem em lanchonetes, não podem ser acusados de luxos exagerados que justifiquem os gastos.
Até os eventos de levantamento de fundos são austeros: em maio, em Washington, foram servidas salsichas e batatas fritas aos participantes, que pagaram pelo menos US$ 1 mil por cabeça.
Segundo os números conhecidos até agora, pelo menos um terço do dinheiro foi gasto em anúncios, o resto em folhetos publicitários e pesquisas de mercado sobre potenciais eleitores.
O resultado é uma máquina eleitoral poderosa, que requer cada vez mais dinheiro para funcionar.
Mesmo se conseguir a candidatura republicana, George W.Bush terá de dedicar grande parte de seu tempo na arrecadação de mais fundos, correndo o risco de deixar o campo livre para o candidato democrata Al Gore.


