Bush recusou-se a responder se já consumiu cocaína
Nova York, 05 (AE-ANSA) - O candidato favorito à nomeação republicana para a disputa da Casa Branca, George Bush Jr, causou uma enorme surpresa ao negar-se a responder uma pergunta sobre se alguma vez consumiu cocaína.
Bush foi o único entre os 12 pretendentes à candidatura à presidência dos EUA a assumir tal posição. Ao negar-se a falar sobre cocaína, ele só fez alimentar rumores que circulam há muito tempo no estado do Texas, do qual é governador, e a partir de agora também em Washington.
Os primeiros a serem surpreendidos, sublinharam hoje comentaristas, foram seus colegas republicanos que agora temem dificuldades para quem, aos olhos de muitos, está destinado a encabeçar a campanha do partido conservador.
Ao contrário, os democratas se sentem satisfeitos porque conseguiram dar publicidade à suspeita. Não é por acaso que tenha sido o líder democrata no Senado, Tom Daschle, que, na quarta-feira, incitou comentaristas políticos a fazerem a pergunta sobre cocaína aos pretendentes à Casa Branca.
"É uma pergunta legítima", assegurou Daschle, insistindo na necessidade de questionar o passado de Bush.
No que concordou o líder republicano do Tennessee e também pré- candidato à presidência, Bo Harman. "É uma pergunta que todos os candidatos deveriam responder", acrescentou.
Bush, talvez antecipando-se aos acontecimentos, já havia reconhecido várias vezes: "Cometi erros, fui jovem e irresponsável".
Até agora se sabia sobre sua inclinação para a bebida, que, aos 40 anos, o levou à beira do alcoolismo, mas a possibilidade de que tivera consumido cocaína era apenas um rumor.
Daschle, entretanto, foi além e afirmou que não achava justo que os meios de comunicação se contentassem com admissões genéricas.
Outro conservador, Pat Buchanan, candidato pela terceira vez às internas presidenciais, ajudou a carregar o clima, reprovando Bush também por sua antiga paixão pelo álcool.
A porta-voz de Bush tentou dar pouca importância à questão e disse que o candidato presidencial "não quer ver-se envolvido no jogo de destruição pessoal".
Mas ela conseguiu apenas colocar mais lenha na fogueira, isolando ainda mais seu chefe que, cedo ou tarde, terá de falar sobre a questão da cocaína, como já o fizeram seus rivais, desde os democratas Al Gore, John McCain e Bill Bradley, aos republicanos Dan Quayle, Orrin Hatch, Elizabeth Dole, Steve Forbes e Gary Bauer.





