Bush nega recurso e "Viúva Negra" é executada
Huntsville, 24 (AE-AP) - Depois de esgotados todos os recursos
Betty Lou Beets, de 62 anos, acusada pelo assassinato de seu quinto marido, foi executada hoje (24) à noite com uma injeção letal.
O governador do Texas e pré-candidato republicano à presidência do país, George W. Bush, negou conceder o adiamento da sentença por 30 dias, removendo o último obstáculo para sua execução.
"Depois de uma cuidadosa revisão das evidências do caso, eu concordo com o júri que Betty Lou Beets é culpada desse crime." A decisão de Bush seguiu-se à da Corte Suprema.
Condenada à morte em 1985, a "Viúva Negra" (como é conhecida) foi executada pouco depois das 22h de Brasília na penitenciária da cidade texana de Huntsville. Betty Lou Beets é a segunda mulher executada no Texas desde a Guerra Civil e a quarta no país desde o restabelecimento da pena de morte, em 1976.
O advogado dela, John Blume, já tinha recorrido à Comissão de Clemência do Texas (ontem) e à 5ª Corte de Apelações de New Orleans (hoje), que rejeitaram o recurso.
A "Viúva Negra" era velha conhecida da polícia. Em 1972, feriu a bala o segundo marido. Mas foi condenada pelo assassinato do quinto, Jimmy Don Beets, em 1983 (segundo a promotoria, para cobrar um seguro de vida calculado em US$ 110.000), e enterrá-lo no jardim de sua casa. Ali, a polícia encontrou também o corpo do quarto marido dela, Doyle Barker (ela chegou a ser processada por esse crime, sem, no entanto, ser levada a julgamento).
No tribunal, a bisavó Betty Lou negou ter matado Beets, mas teve contra ela o testemunho dos próprios filhos. Seus advogados alegaram que ela desconhecia a existência do seguro. E insistiram na tese de que era submetida a todo tipo de violência
incluindo sexual, pelos cinco maridos.
De acordo com uma lei texana de 1991, todo o condenado vítima de violência doméstica tem direito à revisão de processo. Alegando não ter conhecimento dessa lei, Betty Lou Beets fez um apelo, num programa de tevê, ao governador Bush: "Eu estou pedindo para que você me deixe viver. Eu estou pedindo clemência."
O governador Bush interrompeu sua campanha política e regressou a Austin para examinar o caso. Em seus cinco anos de governo, ele só concedeu perdão a um de 119 condenados à morte - Henry Lee Lucas, que a promotoria descobriu na última hora ser inocente da acusação de "assassinato em série".
Em sua campanha como pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Bush tem procurado vender a imagem de "conservador compassivo".





