Bush desponta como favorito dos republicanos à Casa Branca
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sexta-feira, 11 de junho de 1999
Por PAULO SOTERO, Correspondente 
Washington, 12 (AE) - Sem gastar dinheiro, quase sem abrir a boca ou fazer um único dia de campanha, o governador George W. Bush, do Texas, emergiu nos últimos meses como o favorito absoluto do Partido Republicano para disputar a Casa Branca em novembro do ano que vem.
Sua vantagem é tão avassaladora que já fez secar as contribuições de fundos para as campanhas dos outros dez conservadores que aspiram à presidência, entre os quais há nomes nacionais como o senador John McCain, do Arizona, um herói da guerra do Vietnã, a ex-ministra do Trabalho e dos Transportes Elizabeth Dole, que é casada com o último candidato republicano à presidência - o ex-senador Robert Dole -, e Dan Quayle, o ex-vice-presidente no governo de George H. Bush, o pai de George W, como o governador é conhecido.
Embora ainda faltem oito meses para o início das eleições primárias e quase ano e meio para as eleições, boa parte dos congressistas republicanos e a maioria dos governadores do partido já endossaram Bush, certos de que ele é o homem que os levará de volta à Casa Branca.
As pesquisas de opinião justificam essa esperança. Um político de 52 anos, que exibe uma biografia rala para os padrões das disputas presidenciais nos EUA - ele foi sócio de um time de beisebol antes de eleger-se governador da Flórida, em 1994 -, o governador do Texas está cerca de 20 pontos à frente de seu rival democrata mais provável na briga pela Casa Branca, o vice-presidente Albert Gore.
Cercado por uma aura de invencibilidade, com cerca de US$ 15 milhões no caixa e uma máquina de campanha já montada em Austin, a capital do Texas, Bush lança-se neste fim de semana na busca de votos acompanhado por um séquito de cerca de 200 jornalistas, mais gente do que a maioria de seus concorrentes republicanos consegue reunir num comício.
A marcha de Bush para a Casa Branca começa em estilo, amanhã (13), com um churrasco de lagosta para a imprensa na mansão de veraneio da família, em Kennebunck, Maine, onde o clã dos Bush está reunido para celebrar os 75 anos de seu patriarca, o ex- presidente. Nos próximos dias, ele visitará Iowa e New Hampshire, os Estados que farão as primeiras prévias eleitorais, em fevereiro.
Tendo chegado ao topo das preferências de seu partido sem fazer muita força, o maior desafio de Bush são as expectativas extraordinariamente elevadas geradas pela fenomenal ascensão que o transformou no republicano ungido para tirar os democratas do poder.
"Eu compreendo as pesquisas e sei que as expectativas estão lá em cima", comentou ele, recentemente, tentando lidar com o problema. "Minha filha já me disse: pai, você não é tão legal quanto eles acham que você é."
A grande questão é se esse governador simpático, que se elegeu duas vezes no terceiro Estado mais populoso dos EUA com uma plataforma conservadora moderada, mas nunca foi testado no campo de batalha da grande política nacional, aguentará a pressão da mais longa campanha presidencial americana.
"Finalmente, chegou a hora de saber se ele está pronto para jogar na liga principal", disse na semana passada Tony Coelho, o chefe da campanha de Gore.
"Veremos o que acontecerá quando ele for exposto ao oxigênio de uma campanha nacional", reforçou Dick Morris, estrategista político que já trabalhou para democratas e republicanos. "Alguns candidatos simplesmente se desintegram."
As raras declarações sobre questões substantivas que fez até agora mostram que Bush decidiu trilhar o caminho dos candidatos favoritos, que é ignorar os concorrentes e adiar a apresentação de uma plataforma política enquanto puder, até porque o jogo, nesta fase, não é sobre o que ele fará se for eleito, mas sobre dinheiro.
O desafio, agora, é provar que é um candidato viável no contanto com os eleitores de Iowa e New Hampshire, o que Bush não deverá ter dificuldade em fazer, mas, acima de tudo, mostrar-se capaz de atrair as dezenas, talvez centenas de milhões de dólares que terá de arrecadar nos próximos 17 meses para bater o herdeiro político de um presidente que, apesar dos escândalos e do processo de impeachment que sofreu, comanda a mais longa expansão da economia americana em tempos de paz.


