Buscetta: o "soldado raso" invejado pelos chefões.
Roma, 04 (AE-ANSA) - Tommaso Buscetta, primeiro mafioso a colaborar com a Justiça, morreu domingo nos Estados Unidos depois de uma vida novelesca.
Com três casamentos e sete filhos, Buscetta, conhecido também como Don Masino, foi um caso especial na máfia.
Não fez "carreira", foi sempre um "soldado raso", mas conquistou um papel invejado por muitos chefões.
Nascido em 13 de julho de 1928 na casa de um vidreiro da cidade siciliana de Palermo, Buscetta passou alguns anos de sua juventude em Buenos Aires, onde tentou a sorte com o mesmo ofício de seu pai. Entretanto, não prosperou e em 1957 retornou a Palermo.
Buscetta entrou no clã mafioso de Angelo La Barbera, representante da nova máfia urbana, transformando-se no responsável pela "divisão de tabaco".
Em 1962, depois da explosão da primeira guerra das máfias de Palermo, Buscetta "desapareceu" da cidade.
Com Vera Giorotti, que seria sua segunda mulher, mudou-se para o México, e no final de 1964 aterrissou com ela em Nova York, onde fez chegar por via ilegal sua primeira mulher e seus dois filhos.
Em 1966, casou-se com Vera no município de Nova York, usando o nome de Manuel López Cadena.
Em 1968, Don Masino utilizou o nome Paulo Roberto Felici e se casou com a brasileira Cristina Almeida Guimarães. Em 2 de novembro de 1972, a polícia brasileira o deteve acusando-o de tráfico internacional de drogas.
O Brasil não julgou Buscetta, mas, no lugar disso, o extraditou para a Itália. Em dezembro de 1972, foi preso na penitenciária de Ucciardone, onde ficou até 18 de fevereiro de 1980.
Depois de se casar novamente e trabalhar mais uma vez como vidreiro, Buscetta abandonou a Itália após o assassinato de um mafioso de seu círculo, Stefano Bontade, em junho de 1980. Retornou, então, ao Brasil, via Paraguai.
Em 24 de outubro de 1983, 40 homens liderados pelo então presidente da Polícia Federal em São Paulo, delegado Romeu Tuma, detiveram Buscetta, que foi entregue à polícia norte-americana.
Levado para a Itália no ano seguinte, contou os segredos da Cosa Nostra ao então juiz Giovanni Falcone a maior autoridade italiana na questão do crime organizado, assassinado em 1994.
Durante os últimos 14 anos de vida, Buscetta foi um cidadão norte-americano quase livre. Extraditado depois de testemunhar na Itália, ele obteve por sua colaboração contra a máfia nos Estados Unidos a nacionalidade deste país, uma nova identidade e proteção para ele e sua família.





