Manaus, AM- A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental confirmou ontem as mortes de 11 pessoas e o desaparecimento de pelo menos outras duas no naufrágio da embarcação Princesa Laura, no Rio Negro, a 40 km no oeste de Manaus. Sobreviveram ao acidente 93 pessoas.
A causa determinante do acidente, segundo o capitão dos Portos, Edlander Santos, seria a tempestade com ventos fortes que a embarcação enfrentou por cerca de uma hora e meia, quando navegava na altura da comunidade de Santa Maria.
A hipótese de sobrecarga não está descartada. A capacidade total de carga do barco era de 60 toneladas. O Princesa Laura transportava piaçaba. Um inquérito administrativo foi aberto ontem pela Marinha e tem prazo de 30 dias para ser concluído. Não há pessoas indiciadas.
Santos afirmou que a embarcação Princesa Laura estava com a documentação regular na Capitania. Com capacidade para cem passageiros, o barco partiu às 18 horas, de sábado, do município de Barcelos (a 450 km de Manaus), para uma viagem de 24 horas ao destino final, Manaus. Em Barcelos, não enfrentou fiscalização porque inexiste posto da Capitania.
O comandante e o proprietário -que sobreviveram mas cujos nomes estão em sigilo em razão da investigação- da embarcação não haviam divulgado à Capitania a lista de passageiros. Eles disseram que os documentos estavam dentro de um camarote, mas eles não foram encontrados.
O capitão dos Portos negou que a falta de fiscalização em Barcelos fosse uma das causas do naufrágio. ''Os acidentes sempre irão ocorrer independentemente do padrão de segurança e o grau de fiscalização, que podem minimizar os impactos. O problema vai ser resolvido com a regulamentação do setor, melhor infra-estrutura hidroviária e conscientização da população'', disse Santos.
Uma praia na margem esquerda do Rio Negro, a 50 m do local do naufrágio do barco Princesa Laura, foi a ponte de salvação para a maioria do sobreviventes do acidente, que foi presenciado por equipes da Polícia Federal, que faziam o trajeto e também enfrentaram a tempestade.
Aluízio Paes de Lima, diretor do Centro de Especialização de Policiais Federais da Amazônia, e a superintendente regional da PF, delegada Graça Malheiros, socorreram os sobreviventes na praia, por volta das 15h30 de anteontem. ''Estávamos enfrentando a tempestade quando atravessávamos o rio. Quando melhorou a visibilidade, o que vimos foi as pessoas gritando já com o barco adernado. Muitas nadavam para a praia, outras estavam feridas. Quando chegamos perto, colocamos as primeiras 20 pessoas na lancha e fomos atrás de socorro'', disse Paes Lima.
Um dos sobreviventes, Josenei Gomes da Silva, disse que a maioria dos mortos estava em camarotes e não pôde ser socorrida. ''Nadei muito para me salvar, mas não esqueço dos gritos das crianças e das mulheres.''

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