Busca por desaparecidos patina no País
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sexta-feira, 28 de março de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A dor pelo desaparecimento de um ente querido se torna ainda mais insuportável quando a família da vítima não encontra respaldo em políticas públicas efetivas que ajudem a desvendar o mistério. No Brasil não há dados oficiais sobre o número de desaparecidos e cada Estado tem uma forma de agir. Entre os dias 25 e 31 de março, é comemorada a Semana da Mobilização Nacional para Busca e Defesa da Criança Desaparecida.
"No Brasil, se você quiser saber o número de carros roubados em um mês, em um dia, em uma hora, você tem este dado. Mas se quiser saber quantas pessoas estão desaparecidas, não vai encontrar. A nossa causa é invisível", desabafa Ivanise Espiridião da Silva, fundadora da Associação Brasileira de Busca e Defesa de Crianças Desaparecidas (ABCD), também conhecida como Mães da Sé. A entidade criada há 18 anos em São Paulo tem 9.222 casos de pessoas desaparecidas registrados, das quais 2.937 foram localizadas.
O Ministério da Justiça anunciou em 2010 a criação do Cadastro Nacional de Desaparecimentos, mas o projeto não saiu do papel. No ano passado, foi criado o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, que não é atualizado constantemente. "Faltam critérios e detalhes importantes no cadastro, como a localidade do desaparecimento e o período. Não temos uma política definida e não há contato entre os Estados. Hoje cada um cria os seus setores de investigação", apontou Araci Vargas, delegada do Serviço de Investigação da Criança Desaparecida (Sicride), ligado à Polícia Civil do Paraná.
Sem o respaldo público e muitas vezes com pouca informação, familiares se sentem sozinhos na busca pelas vítimas. "Quando fiz o registro comunicando o desaparecimento da minha irmã, o policial me informou que era para ficar tranquila que logo ela voltaria para casa. Muito tempo depois fui descobrir que nem o cadastro dela existia na delegacia. Hoje acredito que a polícia nem faz mais buscas por ela. É a gente que tem que correr atrás mesmo", relata Deidy Ellen Magnente, irmã de Deyse, que desapareceu no dia 16 de abril de 2010, aos 17 anos, a caminho da escola na zona norte de Londrina. "É muito difícil viver com a dor de não saber o que aconteceu. Até hoje nada foi descoberto, mas sempre mantenho a esperança", ressalta Deidy.
Estimativas extraoficiais apontam que mais de 204 mil pessoas estejam desaparecidas no Brasil, das quais 40 mil são crianças e adolescentes. "A falta de políticas públicas de amparo afeta diretamente as famílias, sobretudo as mais pobres. É preciso unificar o trabalho das secretarias de segurança pública dos Estados e de áreas sociais. Hoje a busca por parte dos familiares é difícil, mas, com raríssimas exceções, se dependesse do poder público, seria impossível", aponta Ivanise.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem sobre o Cadastro Nacional de Desaparecidos.


