São Paulo - Mais de dois meses após o tsunami de lama da mineradora Samarco em Mariana (MG) devastar o vilarejo de Bento Rodrigues, duas das 19 vítimas da tragédia ainda continuam desaparecidas. Para os familiares de dois operários que trabalhavam na barragem da empresa no momento da ruptura, em 5 de novembro, não há perspectivas de que eles sejam encontrados nos próximos dias. As buscas na região estão suspensas desde a véspera do Natal.
"A próxima tentativa será usar um equipamento de investigação geofísica para encontrar a cabine do caminhão-pipa onde um dos trabalhadores foi visto pela última vez", explica o tenente Júlio César Teixeira, de 30 anos, comandante do pelotão do Corpo de Bombeiros de Ouro Preto responsável pela operação, sem saber dizer ao certo quando ela deverá ocorrer.
O aparelho capaz de apontar a localização de materiais metálicos em meio à lama está sendo contratado pela própria Samarco, que pertence à Vale e à anglo-australiana BHP Billiton. A reportagem procurou a empresa para saber mais detalhes do equipamento, mas não obteve resposta até o início da tarde de ontem.
No dia da tragédia, o motorista Ailton Martins dos Santos, de 55, funcionário da empresa terceirizada Integral Engenharia, que ainda não foi localizado, foi visto pela última vez dentro da cabine de um caminhão-pipa. O caso do outro desaparecido, Edmirson José Pessoa, de 48, único funcionário da Samarco que foi vítima do rompimento da barragem de Fundão (todos os outros 13 trabalhadores levados pelo mar de lama eram terceirizados), é mais delicado. Como não estava dentro de nenhum veículo, os indícios são difíceis de serem encontrados, pois a área de buscas é ampla. Um dos corpos, por exemplo, foi encontrado na barragem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga, no município de Rio Doce, a mais de 60 km em linha reta de Fundão.

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