Busca do corpo perfeito pode esconder engodos
Em Londrina, 54% das mulheres acreditam que não estão no peso ideal. Para manter ou chegar ao ideal, 33% delas fazem exercícios, 31% fazem dieta, e 30% não fazem nada. Já a maioria dos homens (59%) acredita estar no peso ideal, e para manter ou chegar a isso, 55% praticam atividade física, 13% fazem dieta, e 29% não fazem nada.
A busca pelo corpo ''perfeito'', ressalta a psiquiatra Zuleica Barreto Campos, pode esconder dois engodos: a de que é possível ter o corpo que se quer, ''como se fosse plástico'', sem respeitar o próprio biotipo, e a idéia de que tendo isso, todos os problemas e angústias acabam, como se o corpo perfeito fosse um ''passaporte para a felicidade''.
O cirurgião plástico Ody Silveira Júnior, de Londrina, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro correspondente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Estética, ressalta que o fato da maioria considerar que não está no peso ideal já contribui para a insatisfação com o próprio corpo. Mas avalia que as pessoas acabam pensando ''comodamente''. ''Não querem fazer ginástica ou dieta, querem a cirurgia. E não é bem assim, cirurgia não é milagre'', afirma.
A pesquisa mostra que, entre as mulheres londrinenses, 54% já pensaram em fazer uma cirurgia plástica, principalmente em barriga (45%), seios (22%) e nariz (16%). Já 85% dos homens não pensam em fazer plástica. Dos que gostariam, 47% mudariam o nariz e 16%, a barriga. ''Alguns defeitos, mesmo pequenos, podem incomodar a pessoa. Por isso, o profissional médico deve fazer uma avaliação criteriosa do momento que o paciente está passando, se aquilo é realmente um incômodo, ou se ele não está bem naquele momento'', explica.
Refletir sobre as próprias insatisfações pode ser um caminho mais árduo, mas mais seguro antes de se lançar a uma mudança drástica como a cirurgia plástica. ''Não quer dizer que todo mundo que faz cirurgia plástica tem problemas, mas é importante refletir que sentido isso tem na vida dela, se é apenas mudar um nariz ou é a expectativa de ser uma outra pessoa ou de que a vide mude'', avalia Zuleica. Ela lembra que a insatisfação é uma manifestação humana, ''a gente é incompleto'', por isso a maneira como se lida com isso é que importa.(C.P.)





