Alguém que se propõe, mas não consegue, ficar alguns dias sem beber ou sem usar alguma substância ilícita pode estar no caminho de se tornar um dependente.
A dependência química, explica a psiquiatra Maria Angélica Gambarini, de Londrina, é desencadeada sempre pela busca do prazer. Seja buscar mais prazer, ou para alívio da dor psíquica, emocional ou física. E pode se dar em dois níveis - físico e psicológico.
No nível psicológico, a dependência pode começar quando a pessoa quer repetir a experiência daquilo que a fez se sentir bem. ''Por exemplo, a maconha, se ela traz relaxamento e bem-estar, quando a pessoa estiver tensa, irritada, nervosa, vai querer usar de novo. Ou mesmo, aquela história de 'curtir o momento', de que fazer alguma coisa só vai ser legal se a pessoa tiver fumado um'', ressalta. A dependência psicológica, alerta, é a pessoa acreditar que só vai se sentir bem usando a droga.
Já a dependência física ainda não tem total explicação científica, segundo a médica. ''O que se sabe é que existem mudanças no jeito que o organismo metaboliza a droga, e também alterações no sistema nervoso central, que controla nosso humor, nossa percepção'', explica.
Nosso cérebro, alerta a psiquiatra, funciona na base de um sistema de recompensa, buscando sempre que a gente esteja bem, e que se sinta bem. Isso explica, em parte, a vontade de usar a droga, a chamada fissura, quando já há dependência física. ''Mas isso não acontece de uma hora para outra, não é com todo mundo, e não é com qualquer droga. Nem todas as pessoas conseguem se tornar dependentes''.
A psiquiatra explica que algumas pessoas têm uma proteção natural do organismo contra a dependência física. ''Tem gente que para 'chapar' com maconha precisa usar muitas vezes, precisa desenvolver uma enzima específica que vai metabolizar a substância. Mas, tem gente que fuma uma vez e já está 'chapado'', explica.
A dependência química também pode desencadear quadros psicóticos parecidos com esquizofrenia. O crack, por exemplo, que tem efeito muito rápido e passageiro, também causa a ''nóia'' (paranóia), uma sensação de medo, de ser atacado a qualquer momento. E quem tem predisposição para doenças mentais, pode ter as chances aumentadas de desenvolvê-las com o uso de drogas. ''A pessoa poderia passar a vida sem ter nada, mas a droga acelera esse processo'', alerta. (C.P. com Folhapress)

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