Burocracia faz cade adiar conclusão de julgamento
Brasília, 11 (AE) - Por causa de um problema burocrático, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) adiou para a semana que vem, possivelmente quarta-feira, a conclusão do julgamento da operação de compra da Liquid Carbonic pela White Martins.
O relator do processo, conselheiro Marcio Felsky, gastou três horas na leitura de seu relatório e chegou a sugerir a aprovação do negócio com salvaguardas e a aplicação de multa de R$ 1,3 milhão à White por irregularidades constatadas na análise do processo. Mas a sessão teve de ser adiada, porque a conselheira Lúcia Helena Salgado afirmou não ter recebido cópia do processo e apresentou pedido de vistas.
A operação de compra da Liquid Carbonic transformaria a White Martins em detentora de mais de 70% do mercado de gás carbônico no Brasil. O próprio Cade realizou um levantamento e concluiu que, de fato, o negócio resultaria em uma alta concentração de mercado.
O relator Felsky, ao aprovar a operação, exigiu que a empresa "White Carbonic" assine documento se comprometendo a não adquirir, nos próximos seis anos, novas fontes de matéria-prima na Região Sudeste do País e no Estado do Paraná, onde ela detém a maior fatia de mercado - 73%. Além disso, o relator proibiu a White de assinar contratos de exclusividade com seus clientes.
Felsky disse que a razão da multa de R$ 1,3 milhão se deve ao fato de a empresa ter remetido ao Cade informações incorretas sobre sua capacidade ociosa. Segundo o relator, a capacidade ociosa é de cerca de 30% na fábrica de Cubatão (SP), mas a White afirma que, nessa unidade, sua capacidade ociosa é zero.
Dirigentes da empresa disseram que vão recorrer da multa, porque os relatórios sobre o assunto nem chegaram ao seu conhecimento.





