Para salvar um bebê que nasceu com problema no coração é preciso, além de perícia médica, driblar um outro obstáculo: ''Nós temos profissionais capacitados, estrutura adequada, mas muitas vezes esbarramos na burocracia'', lamenta a médica cardiopediatra Cristiane Ikeda, chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil. ''O problema maior é vaga. Não podemos reservar leito para cirurgia cardíaca. O nosso critério é a gravidade. Às vezes, a criança que precisa da cirurgia tem que ceder vez para outra que está ainda pior'', explica.
Se o bebê nascer fora de Londrina, a situação fica ainda mais complicada. Além de garantir vaga na UTI, ele vai precisar de transporte adequado. ''Não é qualquer ambulância que pode trazer um bebê cianótico. Tem que ter equipamento adequado e gente especializada. Às vezes são horas de espera e isso pode determinar a vida ou a morte'', aponta Cristiane. A questão da agilidade no atendimento é fundamental. ''Já recebi crianças que esperaram demais para fazer a cirurgia. Daí, não podemos fazer mais nada'', alerta. ''Quando o problema é grave, quanto mais cedo operar, melhor''.
Quem visita a UTI e vê bebês como a pequena Stefani, fica maravilhado com a vontade de viver que eles têm e com a dedicação da equipe que cuida deles. Pesando apenas 965 gramas, de fralda e toca rosa na cabeça, ela ainda precisa ganhar pelo menos 300 gramas para ir para o berçário. Mamar no seio da mãe, só depois de atingir 1 quilo e 800 gramas - ''antes disso os bebês estão muito fracos para sugar'', ensina Cristiane. Enquanto estiver na UTI, Stefani recebe atenção constante. Até as caretas que faz são observadas pela enfermeiras. ''Através da expressão facial do bebê a gente sabe se está sentindo dor; quando eles enrugam a testa, é sinal que estão desconfortáveis'', ensina a médica.
Para alívio dos pais, a maioria dos pequenos pacientes se recupera bem, e rápido. ''Geralmente eles ficam de 5 a 7 dias na UTI'', diz Cristiane. Apesar de terem passado por cirurgias complicadas, ela garante que quase todos têm chance de ter uma infância normal depois de receber alta. ''Eu costumo dizer que depois que o bebê chega aqui, ele tem muito mais chance de se recuperar. O mais difícil já passou''.(P.F.)

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