Brasília, 22 (AE) - Uma das testemunhas da CPI do Narcotráfico, Duvaldo Lira Almeida, que depôs na comissão contra o ex-deputado maranhense José Gerardo de Abreu, está há cerca de 50 dias em Brasília sem proteção da Polícia Federal, porque a "burocracia" no Ministério da Justiça tem atrasado a aprovação de seu nome no Programa de Proteção a Testemunhas do governo federal. O deputado Padre Roque (PT-PR), um dos integrantes da comissão, disse que Almeida, ex-funcionário da empresa de José Gerardo, está hospedado na casa de um conhecido e sem dinheiro para manter-se na cidade.
"Ele está vivendo de favor e estamos preocupados com essa situação", disse Padre Roque. "Todo o processo no Ministério é muito demorado", completou. O parlamentar conversou na última sexta-feira com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, que prometeu resolver o problema.
O deputado teve a informação de que as testemunhas incluídas no programa do governo federal recebem apenas uma ajuda de custo no valor de R$ 60 ou uma cesta básica. "Se for isso, é muito pouco para a pessoa sobreviver".
Um problema semelhante ao detectado pela CPI foi enfrentado pelos procuradores que atuam no Acre, nas investigações sobre o envolvimento do ex-deputado Hildebrando Pascoal em assassinatos e tráfico de drogas. Procuradores que atuam no caso passaram 20 dias aguardando a inclusão de 17 testemunhas do Acre no Programa de Proteção, o que atrasou a apresentação de uma das denúncias de assassinato contra Hildebrando.
Os procuradores precisavam ter a garantia do governo federal para apresentar as acusações, porque temiam pela vida das 17 pessoas. Depois de 20 dias de espera, elas embarcaram para local desconhecido.

mockup