Buraco provoca acidente e fere mulher
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terça-feira, 05 de julho de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - A família da viúva Fátima Aparecida dos Reis, de 38 anos, que tem quatro filhos, é só mais um exemplo de brasileiros com dificuldades para sobreviver. Até a última semana a renda mensal era de aproximadamente R$ 400, obtida com o trabalho de recolhimento de material reciclável pelas ruas de Londrina. A fonte de sustento, que já era escassa, secou após um acidente que deixou a provedora da casa sem condições de trabalhar. E o pior: o desastre foi causado por um buraco de rua.
Nos últimos dias a família come, um pouco, graças à boa vontade de conhecidos. ''É muito difícil você olhar para seu filho, ele falar que está com fome e você não poder fazer nada'', contou, às lágrimas, deitada na cama de sua casa nova no Residencial Vista Bela (Zona Norte), inaugurado na semana passada.
Na última quarta-feira Fátima estava terminando de preparar sua mudança para o local. ''Fui vender uns papéis que tinha acumulado em casa no Ernani Moura Lima (Zona Leste). O comprador mandou um caminhão pegar a mercadoria. Eu fui junto para pesar e receber'', conta.
No caminho, numa curva na Avenida Laranjeiras, em frente ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras), na Zona Leste, a porta do caminhão se abriu ao passar num buraco. Fátima e seu filho Márcio Tiago, de 4 anos, caíram do veículo. ''Fraturei duas vértebras. Agora estou com este colete, que uma mulher bondosa do hospital comprou para mim por R$ 300. Nos próximos dois meses não posso sair da cama. Se fosse numa cadeira de roda até que daria, mas aqui em casa não dá, pois não cabe'', disse.
Além do pequeno Márcio Tiago, Maiane, 11, Maiara, 12, e Gabriel, 13, dependem exclusivamente da mãe. ''O que é que posso fazer? Mandar meus filhos trabalharem? Não, isso não'', lamentou.
Fátima vive em Londrina há apenas cinco meses. Só tem familiares em Ortigueira (Centro-Oriental). ''Meus pais moram num sítio, não tem telefone lá. Eles não estão sequer sabendo da minha situação.''
Faz dois anos que ela perdeu o marido João, morto aos 45 anos. ''A gente trabalhava numa horta lá em Ortigueira. Vendíamos verdura na beira da rodovia. Ele estava trabalhando e um caminhão atropelou ele. O motorista nem prestou socorro. Até hoje eu não sei como aconteceu. Chamamos um advogado para tentar alguma coisa, mas nada aconteceu.''
Um dia depois do acidente, a família mudou-se para o Residencial Vista Bela. Ela estava no Hospital Zona Norte, de onde só saiu na sexta-feira. Hoje a viúva precisa de doações para dar de comer aos filhos.
Interessados em ajudar podem entrar em contato pelo (43) 8431-6528. O endereço da família é Rua Celeste Conta Moura, 347 - Residencial Bela Vista.


