Buraco no chão ainda é realidade em invasões
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terça-feira, 05 de agosto de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina Após oito meses morando em um barraco de um cômodo sem banheiro na invasão do São Jorge, ao lado do bairro de mesmo nome, na zona norte de Londrina, Léa Leonel e o marido Adriano Duarte, enfim, conseguiram dinheiro e material para começarem a construir uma fossa. O casal vive no local com dois netos, de 7 e 9 anos, e se "viram" diariamente como podem para as necessidades fisiológicas e tomar banho. "Geralmente vamos a casa de vizinhos para usar a privada e o chuveiro. Um dia é na casa de um, um dia na casa de outro. Mas se acontece uma emergência no meio da noite, o jeito é usar uma sacolinha ou um balde", conta Léa.
Ainda sem madeiras para erguerem as paredes, o casal não vê a hora de poder ter um pouco mais de condições de higiene e tranquilidade. "É uma situação muito difícil não ter um banheiro, principalmente para quem é mulher. Quem tem criança pequena, então, é um sofrimento. Quando conseguirmos construir o banheiro, vai melhorar, mas ainda não é o ideal. A água que chega aqui é gelada; para tomar banho quente tem que ser de balde." Enquanto isso, a família segue usando a água de uma mangueira clandestina-comunitária para tomar água e lavar as louças. "Também uso essa água para lavar roupa. Mas isso só no dia em que chega aqui. É normal ficarmos dias sem uma gota."
Basta andar mais alguns metros para encontrar dezenas de outras famílias na mesma situação. Latões e baldes no quintal amenizam, ainda que precariamente, a situação. Fabiane Hipólito e Viviane Augusto, filhas de Jair Augusto, preocupam-se com a condição em que o pai está vivendo há quase um ano. "Ele separou e teve de sair da casa onde morava. O único lugar que conseguiu comprar foi esse barraco. Mas não tem banheiro; é uma casinha com privada", relata Fabiane, que possui um barraco com fossa ali perto.
Jair Augusto, com 57 anos e vários problemas de saúde, inclusive respiratórios, mostra a casinha com privada, banheiro improvisado no qual realiza sua higiene pessoal e faz necessidades fisiológicas. São duas paredes de madeira com um buraco embaixo de uma privada. Apenas uma cortina garante um pouco mais privacidade. "Sempre jogo água no buraco para não atrair bicho. Por sorte, nunca fiquei doente. Mas essa situação é muito ruim. Para tomar banho, preciso esquentar água." Ele conta que, se tudo der certo, até o final do ano deve conseguir dinheiro para construir uma fossa. "Estão cobrando R$ 200 para o serviço. Ainda não pude pagar. Enquanto isso, vou usando o buraco", relatou.


