Há quase 18 anos, na madrugada de 12 de agosto de 1986, os moradores do bairro Lavrinhas em Cajamar, a 35 quilômetros de São Paulo, acordaram assustados com o barulho que lembrava trovoadas e explosões. Os pisos das casas ficaram deformados e surgiram trincas nas paredes. Era o aparecimento da cratera conhecida como o Buraco de Cajamar, que engoliu ou danificou 480 residências, deixando 2.400 pessoas desabrigadas.
Hoje o local em nada lembra aqueles tempos. A cratera, que alcançou 32 metros de diâmetro por 13 de profundidade, foi aterrada e em seu lugar surgiu uma bem-cuidada praça, a Alfredo Soria, com muitas flores.
Os especialistas acreditam que o solo tenha afundado depois que o lençol freático secou. Hoje, de acordo com eles, não há nenhum indício de novas movimentações do terreno.
''Parece que foi ontem'', diz a dona de casa Solange Soldeira Silva, de 41 anos. ''Parte do quintal da vizinha afundou. O sobrado ao lado ficou com alicerces à mostra e depois caiu.''
''Três a seis meses mais tarde, vendo que o buraco não aumentava, os moradores foram retornando e recuperando as casas'', diz o supervisor de Obras da prefeitura Álvaro Silva Domingues, de 67 anos. A administração indenizou as 12 famílias mais diretamente afetadas, mas Solange levou oito anos para reerguer sua casa. ''Tive de mudar o projeto, porque precisava de mais quartos'', diz, referindo-se aos filhos, André, de 12 anos, e Murilo, de 16.

mockup