São Paulo, 31 (AE e agências internacionais)) - Nos primeiros países desenvolvidos a assinalar a virada no calendário, rumo ao ano 2000, o temor de uma falha generalizada nos computadores não se concretizou. Nenhum problema grave provocado pelo chamado "bug do milênio" foi registrado na Nova Zelândia, Austrália, Japão e Rússia - países que estavam na mira das atenções do restante do mundo, em razão do fuso horário e de sua importância econômica.
De acordo com alguns especialistas, porém, só na segunda-feira é que se poderá ter certeza de que o problema foi vencido. "É importante não esquecer que o mundo dos negócios começa a processar plenamente suas informações no dia 3", disse John Koskinen, especialista contratado pelo governo dos Estados Unidos para acompanhar a transição para o novo ano.
Em Wellington, capital da Nova Zelândia, o responsável pela comissão criada para prevenir possíveis falhas nos computadores, Basil Logan, disse que tudo funcionou normalmente. "Não recebemos nenhuma informação de que tenha ocorrido algum problema nos serviços básicos", disse ele. O colapso de algumas linhas de telefonia móvel foi o único problema registrado no país. Mas isso não foi atribuído ao bug. A causa teria sido a avalanche de ligações feitas para desejar felicidades no novo ano.
Em Camberra, capital da Austrália, onde o ano 2000 chegou 13 horas antes que no Brasil, também não se registrou nenhum problema grave, segundo informações do governo. Os sistemas do setor bancário funcionavam normalmente.
No Japão, alguns serviços de transporte foram suspensos nos primeiros minutos do novo dia, mas o sistema não apresentou falhas ao ser religado. Embora algumas autoridades tenham recomendado à população estocar água, sua distribuição também não foi afetada. Mais de 2 milhões de pessoas em todo o país permaneceram em estado de alerta em setores públicos e privados para entrar em ação em caso de emergência.
Uma das maiores preocupações de especialistas internacionais era a ocorrência de falhas nos computadores das usinas nucleares russas, consideradas obsoletas e mal conservadas. Mas o primeiro reator nuclear russo a enfrentar o bug, localizado na Província de Chukotka, no leste do país, passou bem pelo teste.
A China, que possui a maior força militar do mundo e um pequeno arsenal de mísseis balísticos intercontinentais, também entrou tranquilamente no novo ano, segundo informações oficiais. O país era apontado por especialistas ocidentais como uma das zonas mais críticas do mundo, porque boa parte de seus computadores são antigos.
Ao comentar as primeiras notícias sobre o bom funcionamento dos sistemas de informática, o ex-premiê italiano Romano Prodi, que preside a Comissão Européia, disse, rindo: "Parece que o verdadeiro bug era o temor de todos". Segundo Prodi, o bug acabou "materializando nas pessoas a angústia e o temor de perder o que se possui e que na história nunca tivemos antes".
As notícias sobre o assunto em todos os países do mundo foram acompanhados com atenção em Brasília, pela Comissão Coordenadora de Ações contra o Bug. No final da tarde o secretário-adjunto da Comissão, Marcos Ozório de Almeida, disse que havia expectativa por parte do governo brasileiro de ocorrência de problemas em Gâmbia, com serviços governamentais, e na Nicarágua, com serviços de abastecimento de água.
Ele informou que foram registrados cancelamentos de vôos no Sri-Lanka, mas verificou-se que a causa não foi o bug, e sim falta de passageiros. Almeida explicou que o Brasil está acompanhando possíveis problemas em Angola, porque a usina hidrelétrica de Capanda foi construída com participação de empresas brasileiras e possui equipamentos semelhantes aos usados no Brasil. Ele informou que o Banco Interamericano de Desenvolvimento ( BID) possui empréstimos de US$ 200 milhões para financiar países que precisem corrigir problemas provocados pelo bug.
Nos demais países, porém, a passagem de ano foi tranquila. As primeiras indicações de que o temido bug do ano 2000 não traria grandes transtornos ao Brasil surgiram às 9 horas, quando a Nova Zelândia entrou no ano 2000 sem problemas. O Ano-Novo japonês, que também transcorreu sem problemas, deixou os técnicos do governo brasileiro ainda mais tranquilos. Segundo Brito, o Plano de Contingência montado no País é semelhante ao do Japão.
Todas as embaixadas e consulados brasileiros foram orientados a informar o Ministério da Defesa sobre qualquer problema ocorrido nos diversos países, principalmente aqueles que entraram no ano 2000 horas antes do Brasil. A orientação foi no sentido de que o governo brasileiro fosse informado, também, sobre as soluções emergenciais adotadas pelos governos que tiverem problema. O Itamaraty possui 151 postos no exterior, entre embaixadas, consulados e delegações junto a organismos internacionais.

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