Bug: governo federal vai deixar técnicos de prontidão na virada do ano
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 02 (AE) - O governo federal vai deixar de prontidão as Forças Armadas e técnicos de áreas como telecomunicações e energia para enfrentar eventuais problemas causados pelo bug do milênio, na virada para o ano 2000. A operação será coordenada pelo Ministério da Defesa, onde os responsáveis pelo programa de adequação do governo ao bug passarão o réveillon. A mobilização poderá durar até cinco dias.
"Esperamos que nada aconteça, mas não podemos ficar sentados esperando", disse hoje o secretário-executivo da Comissão Coordenadora do Programa do Ano 2000, Solon Lemos Pinto. Até o fim do mês, deve estar pronto o Plano Nacional de Contingência, uma lista de procedimentos a ser adotados em caso de falta de energia, interrupção no sistema de telecomunicações ou outros problemas. A idéia é poder contar com a estrutura das Forças Armadas, o que inclui satélites para telecomunicações, sistema de rádio e telegrafia.
Solon informou que os ministérios da Previdência, da Saúde e das Relações Exteriores ainda não concluíram a adaptação de seus sistemas ao bug - falha de memória que poderá confundir os computadores na virada do ano, fazendo com que "pensem" que o ano 2000 é, na verdade, 1900. Os três ministérios deveriam ter concluído o serviço até o fim de junho, mas não cumpriram o prazo. Segundo o secretário, 90% dos sistemas de informática do governo federal estão adequados, o que inclui as áreas de pagamentos, arrecadação e comércio exterior. O custo da adaptação é estimado em R$ 1,5 bilhão.
Para o dia 17, está programado um teste nos computadores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele admitiu que haverá sistemas do governo que não estarão prontos, o que não constituirá risco, pois isso só ocorrerá com computadores de uso interno. Um dos problemas já detectados, porém, é o descompasso na adequação de sistemas estaduais e municipais. O secretário disse não ter informações sobre a atual situação na maioria dos Estados. "São Paulo é o que está em melhor situação", declarou.
A comissão já tem uma idéia do que será o Plano Nacional de Contingência: em reunião no começo da semana, 120 representantes de órgãos federais apresentaram uma prévia de sua ação em caso de necessidade. A central de operações vai funcionar a partir de dezembro numa sala do Ministério da Defesa. A partir das 9h30 do dia 31 de dezembro, terá início o esquema de prontidão. O objetivo é antecipar-se a eventuais problemas detectados nos países onde a virada do ano vai ocorrer antes, por causa do fuso horário diferente.
"Vamos procurar tirar vantagem disso", afirmou o secretário, lembrando que a Nova Zelândia vai ingressar no ano 2000 quando ainda for manhã no Brasil. Solon teme o efeito psicológico de notícias de outros países que cheguem ao Brasil no dia 31 dezembro. "Imagine se as pessoas começam a estocar comida ou tirar mais dinheiro do banco do que o necessário", observou. "A CNN vai estar transmitindo".


