São Paulo, 09 (AE) - O Hospital das Clínicas, um dos centros de referência e tratamento mais importantes do Estado de São Paulo, está atrasado nas modificações para enfrentar o bug do milênio. O gerente de suporte técnico do hospital, Jorge Futoshi Yamamoto, admitiu que a equipe terá de correr para poder garantir o funcionamento normal do complexo depois da virada do ano.
No primeiro minuto de janeiro do ano 2000, computadores não adaptados estarão sujeitos a uma série de panes, provocadas pela incapacidade na leitura de data. "Grande parte dos computadores foi programada para ler datas apenas por dois dígitos: 1999 como 99 e 2000 como 00", explica o advogado Renato àpice Blum, autor do livro "O Bug do Ano 2000". Por essa razão, computadores não adaptados devem interpretar o ano 2000 como 1900. "Isso vai desencadear uma série de operações ilógicas, provocando a interrupção de sistemas".
O problema, de grande importância em todas as áreas, torna-se ainda mais preocupante no setor hospitalar. Vários aparelhos indispensáveis para a manutenção da vida dos pacientes podem sofrer danos. Instrumentos de diagnóstico, da Unidade de Terapia Intensiva e de salas cirúrgicas, são considerados de alto risco para a ocorrência de panes. Emergência - "Vamos manter uma equipe técnica de plantão no dia 1.º de janeiro", afirmou Yamamoto. "Além disso, é bem provável que o número de profissionais de saúde seja maior, para enfrentar qualquer problema". Até agora, já foram adaptados o sistema da parte administrativa, que armazena informações gerais sobre o hospital. No entanto, a parte de equipamento hospitalar ainda está na fase de inventário.
O Hospital São Paulo - vinculado à Universidade Federal de São Paulo - e o Hospital Santa Marcelina também estão na fase do inventário de equipamentos. As direções dessas instituições, no entanto, são mais otimistas e garantem que farão a tempo as modificações necessárias. As duas instituições são responsáveis pelo atendimento diário de 8.500 pessoas. "Recebemos da Secretaria Estadual da Saúde uma relação com mais de 170 equipamentos sob o risco de panes e agora estamos entrando em contato com fornecedores", informou a superintendente do Hospital Santa Marcelina, irmã Maria Teresa Lorenzoni.
Segundo ela, ainda não foram definidos os aparelhos que serão modificados e substituídos. O hospital não sabe, também, quanto terá de pagar por essas alterações. Situação semelhante enfrenta o Hospital São Paulo. "Praticamente já finalizamos a parte administrativa e agora estamos fazendo um inventário dos equipamentos médicos", explicou o diretor do Departamento de Processamento de Dados do hospital, Luís Tadeu Jorge. Ele também não sabe quanto a instituição terá de gastar. "Alguns fornecedores certamente não vão querer cobrir os custos das adaptações e, em alguns casos, teremos de ingressar com ações judiciais". Fase final - O Hospital Sírio-Libanês está na fase final das adaptações. "Já fizemos inventários, as modificações, os testes e agora falta apenas dar o certificado para menos de 1% dos sistemas", afirmou o gerente de Informática do hospital, Ênio Jorge Salu. O cronograma dos equipamentos médicos também está em fase adiantada: apenas poucos aparelhos precisam do certificado, conta o engenheiro Éber dos Santos. Depois de enfrentar quase todo o processo de adaptação, Santos garantiu que estaria preocupado caso estivesse ainda no estágio de inventário. "É um trabalho detalhado", disse. "Além disso, hospitais dependem também da prestação de serviços de fornecedores".
Entre os aparelhos que podem ser afetados pelo bug do milênio estão monitores, que acompanham a atividade cardíaca, e ventiladores, que mantêm a respiração do doente. "Esses equipamentos são considerados como de alto risco de pane", afirma Santos. Para ele, até mesmo aparelhos pouco suspeitos, como os de raio X, deveriam ser testados. Além dos problemas imediatos, Santos ressalta que panes descobertas depois do bug poderão demorar pelo menos um mês para serem reparadas. "É por essa razão que, quanto mais rápido forem feitos os reparos, melhor".

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