Bug do ano 2000 ganha relevância em reunião do FMI e do Bird
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sábado, 25 de setembro de 1999
Por Monica Yanakiew 
Washington, 26 (AE) - Um problema de informática, que muitos consideram ter sido exagerado, ganhou relevância na 54ª reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird).
Todos - desde os mais altos funcionários das duas instituições até representantes do G-7 (grupo dos sete países mais ricos) e o ministro da Fazenda, Pedro Malan - colocaram o "bug do ano 2000" na lista de suas preocupações futuras.
Ao enumerar os principais riscos para a estabilidade da economia brasileira, que está começando a superar a crise financeira e só voltará a crescer no próximo ano, a vice-diretora do Departamento de América Latina no FMI, Teresa Ter-Minassian, citou em primeiro lugar o "bug do ano 2000".
Os efeitos do aumento das taxas de juros dos Estados Unidos, previsto para este ano, e de uma possível reestruturação da dívida externa do Equador também preocupam - mas ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
O "bug do ano 2000", ou "Y2K", é o apelido dado a um problema mundial, provocado pelos programas dos computadores mais antigos, que usam apenas dois dígitos para identificar as datas.
Se não forem reprogramados, o próximo dia 31 de dezembro marcará o fim de "99", mas o dia 1º de janeiro será o começo de "00" - algo que pode ser interpretado pelos computadores como 1900, em vez de 2000.
Verdadeiras fortunas já foram gastas na reprogramação de computadores, para evitar que as profecias de caos na virada do ano se concretizem. Entre elas, que os sistemas de previdência social cancelem os benefícios dos aposentados, que aviões errem o curso, e que aparelhos de hospital parem no meio de uma operação.
O que existe, no entanto, é o medo de investidores de que uma crise de confiança na população em geral leve a uma corrida aos bancos e a uma consequente falta de liquidez.
Em um relatório sobre o comportamento dos mercados de capitais mundiais, o FMI alerta para a fragilidade das economias emergentes que, apesar de terem reconquistado a confiança dos investidores estrangeiros, continuam especialmente "vulneráveis a choques externos".
Um desses "choques" é justamente o "bug do ano 2000". Segundo o chefe da Divisão de Estudos sobre Mercados Emergentes do FMI, Donald Mathieson, "se os problemas de liquidez aumentarem poderão afetar não apenas as economias emergentes, mas também as companhias de maior risco nos países industrializados".
O pânico provocado pelo "bug" já aumentou em meio ponto porcentual as taxas de juros - ou seja, o equivalente aos dois aumentos de taxas de juros norte-americanas deste ano, que tanta ansiedade provocaram no mercado.
"Pode ser que não haja um problema, mas estamos com medo do medo dos outros", disse Mathieson.
Na semana passada, o FMI criou linhas de crédito temporárias para países que possam ter dificuldades com o balanço de pagamentos, devido ao "bug do milênio". Cada país poderá retirar até 50% de sua cota no Fundo. A cota brasileira é de US$ 4 bilhões.
Os ministros da Fazenda do G-7 também trataram do "bug", na mesma reunião em que discutiram os problemas das economias japonesa e russa.
Numa conferência para empresários e banqueiros, Malan lembrou que o medo dos mercados com o "bug" já provocou uma elevação dos spreads aos mesmos níveis daqueles existentes em plena crise russa, em agosto do ano passado.
O cenário mais pessimista prevê uma crise nas economias emergentes, que dependem de investimentos estrangeiros. Mas Malan vê também um cenário otimista. Segundo ele, se o mercado tiver exagerado os problemas causados pelo "bug" e a transição de 1999 para 2000 for menos traumática, em janeiro próximo haverá um excesso de liquidez no mercado. Esse dinheiro - diz Malan - poderá beneficiar os países emergentes, como o Brasil.


