Brutalização dos pais leva à violência sexual infantil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 80% dos casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes ocorrem pela ação dos pais ou familiares. Os dados são alarmantes e foram apresentados ontem durante os debates do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. De acordo com a psicóloga Karen Richter Pereira dos Santos Romero, especializada em Psicologia Hospitalar, a violência doméstica ocorre com muita intensidade, em patamares preocupantes.
''A violência sexual doméstica é velada, ocorre dentro de casa e gera cada vez mais violência. O agressor fica no anonimato. Existem casos que vi sendo registrados de pequenas violências até a morte dos filhos. Muitas crianças precisam ser internadas diariamente por conta da brutalização dos pais'', disse Karen.
A brutalização dos pais seria incentivada, segundo ela, pelo alcoolismo, pelo desemprego, pela inversão de papéis (filhos que precisam assumir funções dos pais como limpeza da casa, venda de balas ou outros itens para sustento da família, exploração sexual infantil nas ruas). ''É um conjunto de fatores. Os estudos mostram que as mães são as principais agressoras fisicamente. Os pais são os maiores agressores sexuais, seguidos pelos padrastos. Os dados são cada vez mais chocantes'', ponderou a psicóloga. As consequências para as crianças seriam sérias: de alcoolismo infantil e depressão, até tentativas de suicídio, agressividade com colegas e dificuldade de aprendizagem.
''O que a gente precisa romper para evitar os casos é com a Síndrome do Segredo. As pessoas precisam denunciar. Temos que fazer com que esse fenômeno da violência sexual deixe de ser algo escondido, obscuro e passe a ser claro. Só podemos tomar medidas legais, quando os casos são denunciados'', enfatizou.
Os casos de violência registrados pela Rede de Proteção a Criança e ao Adolescente de Curitiba chegaram a 3.390 em 2006 (54,8% são crianças com idades entre 1 e 9 anos). As violências sexuais chegaram a 14,3% do total de notificações. Em 2007, foram registrados (até abril) 427 casos. As principais violências foram verificadas em crianças com idades entre 5 e 14 anos (49,6%).


