Brunei, nova realidade?
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Dean Visser 
Bandar Seri Begawan, Brunei (AE-AP) - Brunei pode ser o local mais próximo de um reino de conto de fadas existente nos dias de hoje. Mas recentes choques econômicos estão cutucando este rico e adormecido sultanato em direção a uma nova realidade.
A crise financeira asiática e um príncipe renegado que governava a maior companhia desde pequeno país até seu colapso no ano passado, estremeceu a profunda fé na economia petrolífera do país e em sua honrada família real.
O devoto monarca islâmico da floresta de Bornéu parece feliz com sua vida, desfrutando de escolhas entre novos carros e prédios moderno ou vilas de pescadores e canoas de madeira. Mas o país tornou-se mais conhecido como o anfitrião dos Jogos do Sudeste da ásia há algumas semanas e no próximo ano será o local da reunião de Cooperação Econômica, que reunirá 21 líderes mundiais. Ambos são eventos importantes, criados para chamar a atenção necessária dos investidores e turistas estrangeiros.
"Cinco anos atrás você não teria ouvido a palavras "turismo" em Brunei, mas agora o governo está tentando desenvolvê-lo", disse o Sheik Jamaluddin, diretor de desenvolvimento industrial e turístico de Brunei. "Mas nós não vamos escancarar nossas portas e permitir que qualquer um entre. Nós teremos controle sobre o que acontecer", disse ele, referindo-se ao turismo que golpeou outros países asiáticos, e que ele considera como um "câncer" por ter trazido a ruína do meio ambiente e a corrupção cultural.
Além das exuberantes mesquitas, Brunei tem escassos atrativos turísticos. Bares e discotecas são proibidos, assim como álcool, e os artigos são bastante caros. Mas as esperanças dos funcionários do governo recaem sobre a floresta virgem que cobre 80% do país, e esperam um impulso do ecoturismo, explicou Jamaluddin.
O país também quis os Jogos do Sudeste da ásia para promover Brunei como local para outros eventos esportivos internacionais, criando o que ele chamou de "turismo esportivo".
O singular feudalismo moderno do país, apoiado pelas grandes reservas de petróleo e protegido por um todo-poderoso e bondoso sultão, já pareceu ser uma sólida fortaleza econômica.
Mas a recente quebra das economias da vizinhança significou para Brunei, um dos mais ricos, apesar de isolados países do mundo, um brusco choque. O preço do petróleo caiu. A moeda local
o dólar de Brunei, perdeu 15% do seu valor em relação à moeda norte-americana. A agência de investimentos do país, dirigida pelo Estado, investiu fortemente no exterior e viu seu portfiólio retornar abatido. O crescimento do produto interno bruto do país foi de 1% em 1998, enquanto que no ano anterior havia sido de 4%.
Os problemas pioraram no ano passado com a quebra da maior companhia privada do país, a Amedeo Development Corp, que teve uma perda estimada de US$ 16 bilhões. A empresa era comandada pelo irmão do sultão, príncipe Jefri Bolkiah. A falência da companhia causou um grande racha na família real e grandes estragos na economia local.
O governo poderia ignorar os profundos efeitos psicológicos e econômicos da crise na vida dos habitantes, que estão acostumados aos confortos materiais e há muito tempo colocaram seu bem-estar nas mãos da família real sem questionar. "A classe média foi afetada significativamente desta vez, como nunca havia acontecido antes", disse John Funston, pesquisador do Instituto de Cingapura para Estudos do Sudeste Asiático. " A venda de automóveis e coisas no gênero cresceram repentinamente".
Além do estímulo ao turismo, Jamaluddin disse que o governo está estudando a estrutura de desenvolvimento de Cingapura, que inclui generosos incentivos fiscais e outros bônus para multinacionais, como uma forma de ampliar sua economia, que tem como base as indústrias de petróleo e gás.
"Nós queremos melhorar nosso pacote de incentivos", disse ele, acrescentando que isso pode significar uma a redução nos 30% de impostos corporativos. O país não cobra imposto de renda de seus cidadãos e nem dos estrangeiros.
Apesar dos esforços de Brunei para diversificar sua economia, alguns observadores afirmam que só irão acreditar no projeto quando virem os resultados. "Eles são muito concentrados na indústria petrolífera. Eles não fizeram nenhuma manobra importante em direção a outras indústrias", disse Leslie Law, da Ideaglobal.com, uma empresa de consultoria financeira localizada em Cingapura. "Apesar de eles estarem falando sobre diversificação há muito tempo, você não vê nenhum resultado prático".


