Brizola volta a propor renúncia de FHC. PT é contra
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 09 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, pediu hoje ao presidente do PT, José Dirceu, uma reunião da frente de esquerdas para rediscutir possível apoio da frente à sua proposta de renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Vou propor a reconsideração pelo PT da sua posição em relação à renúncia do atual presidente, como única saída constitucional, trata-se de um presidente muito desgastado", disse Brizola. Ele quer que a frente passe a defender nas ruas a renúncia, proposta que pode levar a aliança a um impasse, já que os petistas são, em sua maioria, contra.
O pedetista afirmou que também vai pedir uma postura mais clara de apoio da frente das oposições ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), em seu conflito com o governo federal, mas disse não achar que sua proposta vá causar problemas entre os partidos de esquerda.
Segundo Brizola, Dirceu ouviu "calado" a sua argumentação, no encontro no apartamento do pedetista, na praia de Copacabana. Os dois combinaram acertar a data e local do novo encontro da frente. O petista deixou claro, antes da reunião, que não estava disposto a discutir com pessoas estranhas ao PT as decisões do partido. "Quem dirige o PT é o PT, o diretório nacional do PT"
afirmou o deputado, antes do encontro com o pedetista. "Não conversei sobre isso com Brizola, não vou conversar." Segundo Dirceu, o diretório nacional petista já se reuniu e tomou uma posição sobre o assunto, que foi comunicada ao PDT, ao PSB e ao PC do B e é diferente da dos pedetistas.
"O PSB e o PC do B já manifestaram sua posição, e o governador Brizola tem outra." O petista afirmou que Brizola e o PDT têm o direito de defender a renúncia, mas isso não é o que pede o PT. "A posição do PT está expressa em seu documento: somos oposição intransigente a Fernando Henrique Cardoso, existe um fórum nacional de luta, vamos mobilizar a sociedade, vamos levar a negociação dos governadores ao limite, depois vamos tomar outros caminhos, se o governo não atender, e vamos continuar sendo oposição e vamos trabalhar para manter a unidade da frente", afirmou. "A frente para nós é uma questão prioritária." Dirceu disse que não há contradição entre a aliança com Itamar, que decretou a moratória das dívidas com a União, e a postura dos governadores de oposição, que estão renegociando os débitos e afastaram, por enquanto, a possibilidade de suspender os pagamentos..


