Rio, 25 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, vai pedir ao governador Anthony Garotinho que se reúna com as direções regionais dos partidos que o apóiam. O objetivo é tentar levar o PT de volta ao governo e manter a aliança política das esquerdas no Estado, que, com a crise detonada pela iniciativa dos petistas, ameaça esfacelar-se. Depois de reunir-se com a executiva nacional do seu partido, o pedetista disse que Garotinho tem um estilo pessoal de tratar as questões e atribuiu o conflito com o PT a problemas antigos na administração.
"Lamento que os partidos não tenham tratado em conjunto essas questões desde a formação do governo", disse. Para ele, isso evitaria muita coisa, como a corrida por cargos. Hoje, já exonerado, o ex-secretário de Transportes Raul de Bonis criticou Garotinho, segundo ele "muito centralizador".
Oficialmente, porém, tudo vai bem e a aliança continua. De manhã, Garotinho aparentava tranquilidade ao tratar do assunto. "A aliança, pelo meu desejo, permanece", declarou. "A aliança com esse PT que tem uma postura construtiva." O governador disse que sua união com os petistas não foi fisiológica, mas programática. "Estou implantando o Banco do Povo, o Orçamento participativo está sendo feito pelo (Jorge) Bittar (secretário do Planejamento), a Bolsa-Escola já foi implantada na Secretaria da Educação", disse, referindo-se a projetos caros ao PT. "Então, não estamos discutindo um carguinho aqui, um carguinho ali."
O novo presidente do PT fluminense, deputado Carlos Santana
também disse que a aliança continua. A resolução aprovada pelo 18.º Encontro Estadual do PT não determina que o partido vá para a oposição. Muitos dos seus defensores na reunião ressaltaram que o partido entregaria os cargos, mas manteria "solidariedade política" com o governo estadual. "Não estamos no governo só por cargos", afirmou o vereador Adilson Pires, um dos líderes do grupo Campo de Ação Popular.
Para tentar evitar que a situação piorasse ainda mais, Santana evitou hoje responder aos novos ataques de Garotinho, que voltou a chamá-lo de fisiológico, e não quis comentar a iniciativa do governador de demitir todos os petistas ligados a ele, antes mesmo que se demitissem. "O lado emocional do governador está muito forte, vamos nos ater ao fato da convenção", pediu.
Problemas - Líderes da Articulação passaram o dia hoje tentando uma saída para a crise. Se permanecerem no governo, estarão descumprindo uma decisão partidária, tornando-se, assim, passíveis de punição. Três dos líderes - a vice-governadora Benedita da Silva (única imune a essas represálias, já que ocupa cargo eletivo), o secretário do Planejamento, Jorge Bittar, e o secretário de Ação Social, Antônio Pitanga - tomaram café da manhã com Garotinho no Palácio Laranjeiras e disseram que vão recorrer da decisão ao diretório nacional. "O episódio de ontem expressa a opinião de duas tendências, não a do partido", disse Benedita.

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