Porto Alegre, 13 (AE) - O ex-governador do Rio e presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, não aprovou o convite para que o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), compareça ao um seminário do PT, e deve abordar o assunto amanhã (14), na reunião dos partidos integrantes da frente de oposições, em Brasília. Para Brizola, um contato desse tipo com ACM "é duro de passar na garganta".
Foi o que disse hoje, em Porto Alegre, onde esteve para conversar com a direção regional do PDT. Brizola também lembrou a discordância anterior quanto ao encontro do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no período pós-eleitoral. "O que nós temos a aprender, o que o povo brasileiro tem a recolher desses personagens (ACM e FHC)? ", reparou. No conceito dele, FHC é comparável a Calabar. "Consciente ou inconscientemente, ele tem sido um Calabar", enfatizou.
Conversa com ACM só em público, segundo propôs. Brizola recordou que sempre desejou um debate nacional com o presidente do Congresso, em horário nobre da TV. "Sugeri à Globo porque ele é sócio da Globo", afirmou.
Brizola também previu certa dificuldade nas composições com o PT para a disputa das prefeituras em 2000. Ele acredita que os aliados de 1998 querem apoio, mas não se dispõem facilmente a apoiar os pedetistas.
Examinando a candidatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS) para presidente da República, Brizola disse que a impressão é de que foi lançada "para ocupar espaço". Brizola definiu Simon como um "homem de oportunidades", embora não um oportunista. Comparou a candidatura do senador gaúcho a "um cavalinho piqueteiro" - a montaria que "serve para tudo", prestando-se aos serviços mais variados no meio rural. Ironizando, sublinhou que o bebê (a candidatura Simon) nasceu "com muita dificuldade para respirar" e, por isso, "está sendo mantido naquela UTI especial para recém-nascidos".
"Eu não vejo maior consistência na candidatura do senador", reiterou, identificando-a como "uma manobra política", envolvendo PMDB, PSDB e PFL no "mundo conservador" que dá sustentação ao governo federal. De qualquer modo, entende que Simon "não se escapa de fazer parte dos fracassados". Notou que o senador do PMDB, "no fundo, deu um gritinho aqui, deu um gritinho ali, mas sempre, na hora, fecha com eles (o governo FHC)".

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