Brizola quer PDT como único partido dos trabalhadores
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 19 (AE) - O presidente do PDT, Leonel Brizola, disse hoje que o PDT vai se firmar como o "único" partido que representa os trabalhadores no País. "Sejamos a voz do proletariado, a CUT dos sem-carteira; o PT é o partido da classe média", afirmou o presidente do PDT. Brizola reclama que o PT anda tomando a dianteira das decisões da frente de oposição sem consultar os partidos que a compõem - PDT, PSB, PCB e PC do B. "Mas na hora de apoiar nossa idéia de renúncia, o PT não quer"
disse, referindo-se à campanha pela renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Tanto que trataram mal o correligionário deles no Rio Grande, o Tarso Genro, que também pregou a idéia da renúncia", disse.
Hoje, na convenção nacional do PDT, Brizola anunciou que fez um "aperfeiçoamento" na bandeira de renúncia do presidente, que será lançada na quarta-feira (21) no Rio em um ato público no Centro. "Vamos pregar a renúncia dele e do vice-presidente"
defendeu. Assim, na visão de Brizola, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), assumirá e, "como manda a Constituição, em 90 dias teríamos novas eleições".
O governador do Rio, Anthony Garotinho, presente ao evento, comprou a idéia de Brizola de firmar o partido como um partido dos trabalhadores. "O PDT sairá revigorado dessa história e vai se credenciar como a verdadeira referência do que é povo brasileiro", disse. Garotinho não opinou sobre a idéia de renúncia.
Durante a convenção, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse a Brizola que não acredita "objetiva ou subjetivamente" que Fernando Henrique renuncie. "Acho que o senhor (Brizola) fala isso como mote, para puxar com razão o entusiasmo morto da população, que hoje não tem nenhuma bandeira de luta", arriscou. Brizola não respondeu.
O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), foi à abertura da convenção do PDT, onde posou para fotografias ao lado com Brizola e Garotinho. Brizola continuou fazendo ameaças veladas ao PT. "No Rio Grande do Sul, o Olívio (Dutra, governador do PT) é um homem honrado, mas não pode esquecer que nossa força ajudou a elegê-lo", disse. "Se percebermos que não haverá parceria lá, desembarcamos."
Há duas semenas, em Maceió, no encontro dos governadores de esquerda, Brizola já tinha reclamado sentir-se isolado."Sinto-me um tanto e quanto só", contou Brizola. "Não encontro entusiasmo entre os líderes da esquerda." Para a cúpula do PDT, os petistas são contrários a propor a renúncia por avaliar que seu presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, poderá suceder Fernando Henrique se as regras do jogo político forem mantidas.
A convenção nacional do PDT reconduziu hoje Brizola à presidência do partido e manteve os mesmos membros na executiva. A única novidade foi a criação da vaga de segunda vice-presidência, entregue à senadora gaúcha Emília Fernandes. No final de maio, a executiva deverá fazer sua primeira reunião, dessa vez em São Paulo.


