Brasília, 25 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, afirmou hoje esperar que, até o fim do ano, a comissão formada pelo partido dele e pelo PSB para preparar a fusão das duas legendas no Partido Trabalhista Socialista (PST) tenha concluído o trabalho e tornado viável a nova legenda. "A fusão PDT/PSB pode ser a viga mestra para a construção de uma alternativa de poder ao neoliberalismo", afirmou.
"Há uma prospecção; estamos estudando uma possibilidade de fusão dos dois partidos", disse. O pedetista confirmou ter conversado com o presidente nacional do PSB e ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, na sexta-feira (21), quando acertaram que seria criado o grupo para discutir o processo de criação da nova agremiação.
Brizola afirmou que o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), poderá ser candidato a presidente da República pelo novo partido. "O governador de Minas, por suas atitudes, credenciou-se como candidato", afirmou. Ele também demonstrou esperança de atrair para a nova legenda o setor não-governista do PMDB, alinhado com Itamar, e pequenos partidos, como o PC do B.
Segundo o pedetista, a discussão sobre possível fusão das duas forças políticas não é, a rigor, nova. "Agora, com a ameaça de a maioria conservadora no Congresso votar uma legislação contra os pequenos partidos, voltamos a conversar sobre essa possibilidade", afirmou. A legislação citada por Brizola é a reforma política em tramitação no Senado, que deverá proibir coligações proporcionais e criar exigências de porcentual mínimo de votação para os partidos poderem ser representados na Câmara, tornando inviáveis pequenos e até médios partidos.
O líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), disse que a fusão é até possível, mas que há outros cenários possíveis, dependendo de como a reforma política tramitar. Ele lembrou que esses cenários "precisarão ser conversados" com as seções estaduais dos partidos envolvidos para ver a repercussão nos Estados. "O que existe é uma conversa embrionária, absolutamente embrionária, em que não há decisão de fazer fusão, incorporação", afirmou.
No PSB, houve reações hostis à idéia. "Conversei hoje com o governador Arraes; ele negou ter conhecimento de qualquer comissão", disse o secretário de Saneamento do Estado do Rio, Alexandre Cardoso, vice-presidente nacional do PSB. O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), disse ter sabido da iniciativa "pelos jornais" e defendeu a criação de um partido que reúna toda a esquerda. "Não podemos dividir a oposição, botando o PT de um lado, os outros do outro", criticou.

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