Brizola duvida que Lula tenha o criticado
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 18 (AE) - O presidente nacional do PDT, o ex-governador do Rio Leonel Brizola (PDT), duvidou da veracidade das críticas do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e considerou "pouco provável" que o petista assuma uma postura "intolerante". Em entrevista ao "Jornal do Brasil" publicada na edição de hoje, Lula afirma que "não dá mais" ouvir Brizola "ditando regras" e manda ele cuidar do "partidinho dele". Ele anunciou que, na terça-feira (23), os partidos da frente de oposição vão reunir-se para "aparar arestas" e resolver os problemas na união da esquerda.
"Eu tenho fama de caudilho, mas eu vou ser muito tolerante", disse, ao comentar a disposição em se manter na frente das esquerdas. Para ele, apesar dos problemas, a aliança política, que reúne PT, PDT, PC do B, PSB e PCB, deve continuar existindo. "Eu jamais me envolvi na vida interna do PT; tenho limitado-me a críticas fraternas a Lula e aos governadores da oposição." Ele e Lula tiveram um rápido encontro ontem (17) no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. "Não percebi nenhum problema maior durante a conversa." Segundo Brizola, eles falaram sobre "assuntos gerais da política".
O ex-governador acha difícil que Lula parta para o confronto, ao comentar uma entrevista do secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, o petista Tilden Santiago, que teria dito que o presidente de honra do PT está chegando ao limite em relação ao pedetista. Brizola disse hoje que o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), desmentiu hoje, diante da bancada do PDT, que Lula teria feito críticas a Brizola e ao partido, durante a reunião com o governadores petistas, em Brasília.
"Essa notícia (do Jornal do Brasil) parecer ser inverossímil, conhecendo Lula e a amizade que tenho com ele", afirmou Brizola. Sobre a proposta de reajuste salarial, ao contrário de Lula, Brizola defende a adoção do gatilho salarial, quando a inflação alcançar o patamar de 5% ao ano. "Eu aprovo a idéia do gatilho, mas acho que ela deve ser adotada quando a inflação atingir 5% ou 7,5%", declarou. Ele voltou a defender a realização, pela frente de oposição, de uma campanha pela renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. O PDT está enviando e-mails para internautas pregando a renúncia do presidente e estuda a possibilidade de lançar uma home-page na Internet sobre o tema. No dia 29, vão ao ar os programas regionais do PDT em rádio e televisão, defendendo a renúncia de Fernando Henrique.


