Porto Alegre, 12 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, informou hoje que vai usar a Internet para difundir a tese em defesa da renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. Brizola disse que o presidente "fracassou rotundamente e forçou sua reeleição", motivos pelos quais deveria abandonar o cargo.
O pedetista defendeu a posse do vice-presidente Marco Maciel em lugar de Fernando Henrique. Maciel poderia, segundo ele, fazer um "governo de concentração nacional". Brizola espera contar com apoio popular para pressionar o presidente.
"Estamos diante de um presidente que chegou ao fim no começo do mandato", afirmou Brizola. A situação é considerada "surrealista" por ele. O pedetista disse que defende a substituição do presidente pelo vice-presidente porque esta é a única saída constitucional e afirmou não conhecer nada "desabonador" contra Maciel. A renúncia, ressaltou, "não seria para entregar isto a ACM (Antonio Carlos Magalhães, presidente do Senado, do PFL da Bahia), símbolo do conservadorismo". A proposta, afirmou, não é golpista. "Não tenho nenhuma tradição de golpismo; ao contrário, honro-me de estar na história brasileira entre os que defenderam a legalidade democrática de arma na mão", recordou.
No movimento da Legalidade, em agosto de 1961, Brizola governava o Rio Grande do Sul, quando formou uma cadeia de emissoras de rádio para defender a posse do vice-presidente João Goulart, depois da renúncia do presidente Jânio Quadros.
Indagado hoje sobre se seria possível comparar a Legalidade à proposta atual contra Fernando Henrique, Brizola disse que as duas situações "não têm comparação, mas todos os movimentos que se apóiam nas aspirações populares guardam algum parentesco".
Na busca de apoio para a tese, Brizola disse que vai pedir a "reconsideração do PT", que recusou a mobilização pela renúncia do presidente. Além de contar com a Internet para transmitir a mensagem, Brizola está pedindo uma reunião dos partidos da frente de oposição para debater a idéia. Ele não quis dizer se tentará a adesão do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB) para a campanha.
O presidente do PDT terá amanhã (13) um almoço com Arraes em Brasília. "Não estou esperando que todos tenham a mesma disposição que eu neste momento", afirmou.
"Prefiro não me manifestar", respondeu, quando questionado se pediria apoio a Arraes. "Cada qual sabe onde lhe aperta o sapato", acrescentou.
Hoje, o pedetista visitou o governador gaúcho, Olívio Dutra (PT). O PDT pede mais espaço na administração estadual, onde ocupa quatro cargos de primeiro escalão. "Queremos participar das decisões, do planejamento, das discussões; os cargos, sem isso, não nos servem." Ao lembrar que foi criticado pelo ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Franco, Brizola disse que não "está numa tirada demogógica e oportunista como disse Franco naquele interminável canto de cisne (discurso de despedida)".

mockup