Rio, 15 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, vê dificuldades para uma possível aliança com o PT nas eleições municipais, este ano, e em 2002. Irônico, disse que o PT atual está "muito próximo do sistema". "Verificamos que entre nós há posições muito diferentes; eles têm uma boa vontade, uma tolerância, com relação ao presidente Fernando Henrique que, francamente, o nosso partido não acompanha e não se identifica."
Para sustentar a argumentação, Brizola lembrou da visita de Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Fernando Henrique, em 1998, e o convite ao senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para discutir combate à pobreza em debate promovido pelo líder petista no ano passado. "Aquela visita e o convite ao ACM são coisas que simbolizam uma posição do PT que nos dá impressão de que eles estão mais preocupados com um projeto eleitoral muito próximo do sistema", afirmou. Brizola disse que a suposta declaração do presidente nacional do PT, José Dirceu, de que os petistas do Rio deveriam abandonar o entendimento com PDT, "não tem cabimento" e revela uma "indisposição" do PT com os antigos aliados de campanha.
"O que eu posso dizer é que, tomando como verdade o que ele disse, muitos companheiros do nosso partido ficaram até contentes", afirmou. "Isso só reforça a tese da candidatura própria." Para o ex-governador, será "muito difícil" uma aliança entre PT e PDT no primeiro turno da disputa eleitoral carioca, o que, segundo ele, também poderá acontecer "nas eleições estaduais e nacional de 2002."
Brizola participou de manhã da reunião do conselho político do partido, que deveria homologar a decisão pela candidatura própria do partido à sucessão municipal. O encontro, no entanto, acabou esvaziado com a ausência do governador Anthony Garotinho, que alegou agenda lotada para não comparecer. A decisão sobre a candidatura própria foi mais uma vez adiada para o próximo dia 24, quando o conselho político se reúne novamente.
Brizola e Garotinho, porém, agendaram um encontro à noite para tentar acabar com a briga entre os dois. Segundo alguns pedetistas ligados ao ex-governador, Garotinho queria ter um encontro a sós com Brizola, que rejeitou a idéia. O líder pedetista só aceitou se reunir com o governador na presença de mais três pessoas - os secretário estaduais de Governo, Carlos Lupi, de administração, Hugo Leal, e o deputado federal Miro Teixeira.
O governador quer que o partido cumpra acordo firmado com o PT na campanha de 1998, indicando um nome para uma possível chapa encabeçada pela vice-governadora Benedita da Silva, caso ela seja a vitoriosa nas prévias do PT que ocorrerão em 26 de março.
Na reunião do conselho político, o grupo ligado a Brizola mostrou-se disposto a discutir uma trégua com Garotinho. Entre as decisões tomadas, ficou acertada a criação do diretório metropolitano - um dos pontos defendidos pelo governador para democratizar as decisões partidárias que, para ele, ainda estão muito centradas na opinião de Brizola.
"Isso já é um assunto aprovado pelo partido, não é motivo de nenhum problema entre nós, e hoje vamos conversar amplamente com o governador sobre esse assunto", disse o presidente nacional do PDT. Segundo o ex-governador, o diretório metropolitano, porém, não terá poder decisório, mas apenas "político".
"Quem decidirá sobre candidaturas é a convenção municipal do partido, que reúne um arco de militantes maior do que o do diretório", disse Brizola. No diretório metropolitano, explicou o líder pedetista, votam os delegados das 94 zonais do PDT no município, enquanto na convenção, além dos representantes das zonais, têm direito a voto os vereadores, deputados, senadores e integrantes dos diretórios regional e nacional domiciliados na capital.

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