Rio de Janeiro, 25 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disse hoje (25) que seu partido está aberto para receber o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, ex-PMDB, atualmente sem partido.
"Se sentirmos alguma luz verde (por parte de Itamar), iremos em frente, para dialogar com ele", afirmou. Brizola ressaltou, no entanto, que a virtual filiação de Itamar no PDT não significa o apoio automático do partido à candidatura do governador mineiro à sucessão presidencial, em 2002.
"Isso é uma outra questão que ainda está longe; primeiro vamos tratar da eleição municipal", disse. O presidente nacional do PDT e Itamar participaram hoje à noite da homenagem aos 103 anos do jornalista Barbosa Lima Sobrinho, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. Em seu discurso, Brizola só fez elogios ao governador mineiro.
"Nós temos que voltar nossos olhos para Minas Gerais, porque aquela ali é uma terra abençoada", afirmou. "Agora nesse momento tão confuso da vida brasileira, voltando nossos olhos para Minas será mais fácil enfrentar o governo Fernando Henrique
e isso está acima de nossos partidos, acima de nossas divisões."
Apesar de ter desembarcado no Rio junto com o presidente nacional do PT, José Dirceu, Luiz Inácio Lula da Silva não foi ao ato na ABI. Segundo o presidente regional do PT, Carlos Santana, Lula seguiu para o hotel, de onde só saiu às 21 horas para se reunir com Itamar Franco.
Dirceu e a vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, representaram o Partido dos Trabalhadores na cerimônia. Outra ausência sentida foi a do governador Anthony Garotinho.
No aeroporto, Lula foi taxativo. Disse que a candidatura própria de seu partido à sucessão municipal no Rio é "irreversível" e preferiu não responder às críticas de Brizola
que classificou a cobrança do PT pelo apoio do PDT à candidatura de Benedita de "impertinente" e de "tentativa de empulhação".
"Não vou mais discutir esse negócio de Brizola porque ele tem idade suficiente para fazer o que bem entender", disse.
"Eu tenho as barbas brancas como as dele (Lula), mas só que eu as faço e ele não, por isso tudo prefiro ter cautela, conferir primeiro as declarações, para depois comentá-las", esquivou-se Brizola, que amanhã se encontrará com Benedita. A vice-governadora tentará mais uma vez conquistar o líder pedetista para que seu partido a apóie na sucessão municipal.
Lula afirmou que os petistas vão "até o seu limite" para tentar reeditar a frente de esquerda de 1998 nas próximas eleições de outubro. "Ninguém no Brasil pode dizer que o PT nesses dois anos não trabalhou 24 horas por dia para garantir a manutenção da aliança política entre a esquerda", ressaltou.
"Nós estamos dizendo o tempo todo que a eleição de 2000 é o alicerce para a eleição de 2002. Agora, se os nossos parceiros não compreedem assim, paciência."
Ele acredita que a separação da esquerda no primeiro turno só tornará mais difícil uma aliança futura em um eventual segundo turno.

mockup