Rio, 14 (AE) - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, defendeu hoje que o Ministério Público Estadual investigue as denúncias de supostas irregularidades no programa Delegacia Legal, criado pelo Estado para reformar e modernizar os distritos policiais fluminenses. Brizola não responsabilizou diretamente o governador Anthony Garotinho (PDT), de quem tem divergido, pelos supostos problemas - como falta de licitação e superfaturamento de produtos e serviços -, mas ressaltou que a investigação do caso deve ser aprofundada.
"Como é que uma comissão nomeada legalmente pelo governo do Estado chega a uma conclusão, seus membros são demitidos, e outra tem conclusão diametralmente oposta?", perguntou o pedetista. Para Brizola, se a primeira comissão, ao elaborar o seu parecer, agiu de má-fé para fazer acusações, demitir seus integrantes é pouco. O presidente do PDT considerou positivo que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) investigue o problema, mas repisou a necessidade de o Ministério Público Estadual entrar no caso.
Brizola não responsabilizou ninguém pelo episódio, que abriu uma crise no governo do Estado e detonou uma reforma na cúpula da Polícia Civil - em consequência, o delegado Carlos Alberto dOliveira foi substituído no cargo de chefe da Polícia Civil, pelo delegado Rafik Louzada Aride.
"Vamos deixar a poeira assentar no fundo do poço para depois apreciar o assunto", afirmou Brizola, referindo-se à atuação de Garotinho no caso. O governador tem dito que não houve irregularidades. "Acho que o governador deve estar pedindo que o TCE investigue com o máximo de eficiência", afirmou Brizola.
O Tribunal abriu investigação sobre o programa, mas por iniciativa própria. O pedetista também cobrou publicamente um pronunciamento do secretário da Segurança Pública, Josias Quintal, sobre o escândalo. "Não basta ele ter se defendido dizendo que o parecer da Procuradoria Geral do Estado (que dispensou a realização de licitação e aprovou o trabalho da segunda comissão) é normativo", afirmou ele. Para Brizola, a Procuradoria, na verdade, é apenas opinativa.
O presidente do PDT considerou normal que o deputado Paulo Ramos, que divergia de Garotinho sobre os problemas envolvendo o Programa Delegacia Legal, tenha sido substituído por Carlos Correia no cargo de líder do partido na Assembléia Legislativa. Segundo ele, é usual no PDT que o novo líder assuma o cargo em dezembro, antes do recesso. "É uma forma de preparar o novo líder", disse. Brizola admitiu, contudo, que a troca ajudou o partido a "equacionar o problema".

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